Facebook Clic BetimTwitter Clic BetimYoutube Clic Betim

Sábado, 22 Julho 2017 | Login

Rixas internas dividem governo em dois grupos

Rixas internas dividem governo em dois grupos Administração da Prefeitura de Betim está 'rachada' por 'intrigas' do primeiro escalão

Secretários que moram em Betim disputam espaço com os que vem de fora; no meio da briga, a população, que sofre com uma gestão que não resolve problemas graves.

Quem viveu em Betim no fim dos anos 90 viu um governo até então popular e bem avaliado se desidratar e ruir por brigas internas. Era a então administração do prefeito Jésus Lima (PT). Dentro do Partido dos Trabalhadores existiam pelo menos duas correntes díspares: uma ligada à Maria do Carmo e outra, a Jésus.

Como boa parte dos nomes que ajudaram MDC a administrar a cidade entre os anos de 1993 e 1996 não era de confiança da gestão de Jésus, muitos integrantes do primeiro escalão foram “importados” de outras cidades. Foram logo batizados de “forasteiros” pela oposição e também pelo chamado “fogo amigo”.

Parece que a história se repete 15 anos depois. Enfraquecido pela qualidade de sua gestão e com a popularidade em baixa, após o rompimento com o aliado histórico Vittorio Medioli, o governo de Carlaile Pedrosa passa por uma verdadeira convulsão interna.

O prefeito, desta vez um tucano que se comportava como um grande crítico à “importação de gestores” nos anos petistas, mudou o discurso e trouxe boa parte de seu secretariado de fora, causando, mais uma vez, desconforto para quem nasceu ou viveu boa parte de suas vidas em Betim.

A briga agora volta a ter o clima de “forasteiros”, como na época de Jésus Lima, contra os secretários que são daqui. Esses últimos alegam que sempre estiveram ao lado de Carlaile, mas que, de uma hora para outra, perderam voz e o direito de ação dentro da atual administração.

A verdade é que no meio desses dois grupos estão os betinenses, ou seja, a população, que acaba pagando o pato, pois os atuais mandatários não conseguem dar andamento a políticas de governo elementares, como a manutenção de pediatras nos centros de saúde, educação de mínima qualidade, valorização do funcionalismo e a manutenção de projetos sociais e esportivos, além de propostas que possam ajudar no combate à epidemia de violência. Até leis estão sendo descumpridas, como é o caso do repasse para a cultura.

Há, de acordo com os próprios secretários municipais, que pedem para não ser identificados, uma divisão muito clara dentro da gestão. O descontentamento é maior por parte de secretários como Mauro Reis (Gabinete), Wagner Lara (Administração) e Vânia Estevão (Planejamento). Pelo outro, Hugo Teixeira (Comunicação), Flávio Sapori (Segurança) e Gustavo Palhares (Gestão), de fora da cidade, criaram um grupo que tem conseguido concentrar as decisões mais importantes.

Os que vêm de fora, como denunciam antigos aliados de Carlaile, também trazem consigo outras pessoas que são nomeadas em cargos estratégicos e que deveriam ser fundamentais para o bom andamento da máquina pública, porém, acabam sendo responsáveis por atitudes consideradas inadequadas, como a nomeação de “afiliados políticos” para ocupar os cargos de diretores e vice-diretores.

“A turma de fora chegou e dominou. Não somos mais ouvidos. Tudo o que se vai fazer é preciso ter o aval dos ‘três mosqueteiros’ (referência a Hugo, Gustavo e Sapori). O prefeito perdeu o rumo e, na ânsia de querer recuperar o prestígio, está colocando os carros na frente dos bois, ouvindo apenas quem nunca vivenciou a política e os problemas locais”, disse um dos secretários.

Outra situação que mostra o racha diz respeito a um contrato apresentado pelo secretário de Planejamento, Gustavo Palhares. “Ele insiste em fazer um registro de preço de milhões de reais para contratar a empresa Algar Tecnologia, porém, o grupo de secretários que é de Betim não admite fazer isso, pois acha que é muito dinheiro para não se fazer uma licitação mais rigorosa e transparente, havendo suspeita de favorecimento para a empresa. Há quem diga que isso vai parar no Ministério Púbico”, explicou um dos integrantes da Junta de Execução Orçamentária e Financeira (JEOF), comitê criado para avaliar a conformidade de todas as aplicações financeiras e despesas feitas pelo município.
 

Silêncio


Por e-mail, a reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Betim para que a administração se pronunciasse sobre os desentendimentos no alto escalão do governo de Carlaile Pedrosa (PSDB), porém, até o fechamento dessa edição, a assessoria de imprensa não havia se manifestado. O jornal concluiu esta página por volta das 20 horas de quinta-feira (27).


Compartilhe  compartilhe

botao_facebook botao_twitter botao_google

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar