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Sábado, 24 Junho 2017 | Login

Moradores cobram volta de pediatras nas UAI's

Moradores cobram volta de pediatras nas UAI's Grávida e mãe de dois menores, Ingred da Silva teme que os filhos tenham algo grave e que eles não consigam ser atendidos a tempo

Moradores se uniram e já coletaram 5.000 assinaturas para tentar reverter decisão; desde agosto, não há esse especialista nas unidades Guanabara e Alterosas.

A impossibilidade de conseguir atendimento pediátrico para o filho de 7 anos e a filha de 3 na Unidade de Atendimento Imediato (UAI) Guanabara tem atormentado a vida de Ingred Aparecida da Silva, 24. Há menos de duas semanas, depois de o primogênito sofrer uma crise de bronquite, ela foi levá-lo à unidade, localizada próxima à sua casa, mas, lá, recebeu a notícia de que não havia mais pediatras. Ingred, que está desempregada e grávida do terceiro filho, teve então que pegar quatro conduções, duas somente para chegar até a UAI Teresópolis, que fica a vários quilômetros de distância da sua casa. Lá, ela ainda  encontrou uma unidade superlotada e acabou voltando para casa sem, contudo, conseguir atendimento para o garoto.

O drama de Ingred é vivido por outras centenas de mães que hoje buscam assistência para seus filhos nas UAIs Guanabara e Alterosas. Isso porque, desde agosto deste ano, depois de uma determinação do secretário municipal  de Saúde Rasível dos Reis, as duas unidades não contam mais com presença de um pediatra, já que esses especialistas foram remanejados para as UAIs Sete de Setembro e Teresópolis.

A medida causou revolta e fez com que moradores da região do bairro PTB decidissem se unir para fazer um abaixo-assinado. O objetivo, segundo eles, é sensibilizar o prefeito Carlaile Pedrosa para que ele reverta a decisão que, conforme a população, coloca em risco a vida de crianças e adolescentes. Até agora, 5.000 assinaturas já foram coletadas, mas eles esperam chegar a 10 mil.

Enfermeiro e vice-presidente da associação de bairro do PTB, Itamar de Souza Rodrigues, é uma das pessoas que está à frente do movimento. Para ele, a retirada dos pediatras das UAIs Guanabara e Alterosas foi um “genocídio do prefeito”. “Se não tomarem uma providência rápida, daqui a pouco estaremos velando uma criança atrás da outra. No dia 24 de agosto mesmo, um menor quase morreu na UAI Guanabara. Ele chegou no local com uma crise convulsiva depois da outra, mas o médico que estava não tinha experiência para fazer o atendimento pediátrico e não conseguiu ajudá-lo como deveria. Quase que acontece uma tragédia. A política do SUS é de descentralizar o atendimento à população, mas, em Betim, estão fazendo o contrário”, disparou o enfermeiro.

Ingred da Silva também teme que o pior aconteça. “Nós aqui da região do PTB somos pessoas simples, sem condições financeiras. Eu mesma não posso pagar sempre quatro ônibus para ir e voltar da UAI Teresópolis para levar meus filhos ao médico. Tenho medo que um deles tenha algo mais grave e não dê tempo de chegar em uma unidade mais longe”.

Outra moradora revoltada com o remanejamento dos pediatras é Maria Izabel da Silva. “Essa medida é prejudicial para os moradores de toda a região. Tinha que ter pelo menos um pediatra em cada unidade de saúde na cidade. Se uma criança tiver uma crise grave de asma, por exemplo, como eles vão fazer? Será que dá tempo de ir para um posto longe?”, disse.

Mãe de uma criança de 6 anos, a moradora do bairro Vila Kennedy Adriana Santos dos Reis também reclamou da medida. “É difícil pra gente se deslocar para tão longe. Se  a criança tiver algo mais grave, pode morrer”, salientou

Posicionamento

A Secretaria Municipal de Saúde informou que a criação de núcleos para atendimentos pediátricos nas UAIs Sete de Setembro e Teresópolis ocorreu “para garantir a escala completa na urgência com três profissionais por plantão diurno e três por plantão noturno em cada uma das UAIs”.

Ainda conforme a secretaria, os clínicos das UAIs Alterosas e Guanabara “serão capacitados para atender demandas pediátricas dos casos de urgência que chegarem às referidas unidades e o Samu dará prioridade para a transferência de crianças para os núcleos pediátricos”, declarou.


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