Após denúncia, flanelinhas continuam agindo no centro

Pouco mais de um ano depois de O Tempo Betim denunciar que os “guardadores” de veículos, mais conhecidos como flanelinhas, agiam livremente...

ot07-03a 1Pouco mais de um ano depois de O Tempo Betim denunciar que os “guardadores” de veículos, mais conhecidos como flanelinhas, agiam livremente na região Central da cidade, a situação continua a mesma.

São cidadãos que privatizam o espaço público e intimidam os motoristas. Alguns chegam a ganhar R$ 30 por dia de trabalho, como revelou um deles à reportagem na tarde de quinta-feira (6). O lucro é ainda melhor em áreas de maior movimento, como na avenida Governador Valadares. Muitos motoristas, para fugirem dos estacionamentos caros – média de R$ 10 por hora –, preferem aceitar e pagar o valor pedido pelos “guardadores”. “Não tem como fugir dos flanelinhas. É só a gente parar o carro para ser abordado por um deles. Então, prefiro manter a boa relação. Além disso, sai mais barato do que deixar o veículo em estacionamentos particulares”, disse a recepcionista Regina de Souza.

Nas proximidades da praça do Centro de Abastecimento (Ceabe) de Betim, a situação se repete. Lá há até cones colocados pelos grupos nas vagas reservadas aos “clientes”. Eles trabalham orientando os motoristas, que, coagidos, acabam dando a gorjeta. “Tenho medo de parar o carro, recusar a vigia e, na volta, algo grave ter acontecido. Muitos flanelinhas ficam com raiva e acabam fazendo maldade, arranhando o carro ou quebrando os vidros”, ressalta Maurício de Andrade.

Alguns flanelinhas, mais ousados, ainda usam o colete do Lavador Cidadão – extinto projeto da Polícia Militar que identificava o profissional apto a vigiar e lavar os veículos estacionados nas vias públicas de Betim – na tentativa de enganar os motoristas.

“Infelizmente, esse projeto, que foi criado em 2008 na cidade, não existe mais hoje. No ano passado, eu tentei reativá-lo, mas a prefeitura e a Transbetim, que eram parceiras nessa iniciativa, não mostraram interesse. É lamentável, porque o cadastro desses flanelinhas nos ajuda na prevenção de roubos a veículos”, disse o comandante da 174ª Cia., major Adriângelo de Souza.

Segundo ele, os militares não podem render esses grupos pelo simples fato de eles “olharem os carros”. “Para que isso ocorra, é preciso que os motoristas denunciem ameaça ou extorsão”, esclareceu Souza.

A atual gestão negou que algum representante da PM tenha procurado a prefeitura para pedir a reativação.