Audiência pública debate saúde mental nas escolas

A iniciativa do evento partiu do vereador Toninho da Farmácia, que preside a Comissão Permanente de Saúde, por meio do Requerimento nº...

66-09-2025
Foto: Jonathan Pires

A Câmara Municipal de Betim realizou Audiência Pública, na tarde desta sexta-feira (26/9), no Plenário Carino Saraiva, para debater o uso das redes sociais e a prevenção da saúde mental nas escolas, em alusão à campanha Setembro Amarelo, mês de prevenção ao suicídio e à automutilação. A iniciativa do evento partiu do vereador Toninho da Farmácia, que preside a Comissão Permanente de Saúde, por meio do Requerimento nº 1019/2025, aprovado unanimemente.

Toninho da Farmácia presidiu os trabalhos da Audiência Pública e ressaltou que a saúde mental nas escolas foi um tema deixado de lado e isso gerou desafios profundos às famílias e aos profissionais envolvidos. O vereador pontuou que as escolas devem ser um espaço acolhedor, que abrace a todos de maneira igualitária e proporcione plenas condições de aprendizado.

A secretária municipal de Educação, Marilene Pimenta, manifestou que o assunto deve ser discutido não apenas no setor público, mas também na rede estadual e privada. Marilene destacou que o município já controla o uso do celular pelos alunos, em cumprimento da Lei n° 15.100, e existe o Centro de Referência e Apoio à Educação Inclusiva (CRAEI) para amparar os alunos que necessitem de atendimento.

Secretária municipal de Saúde, Jaqueline Santana entende que o acolhimento às pessoas com qualquer problema de saúde mental representa enorme desafio. A estrutura hoje existente funciona em horário comercial e existem tratativas avançadas com o Governo do Estado para ampliar o atendimento para 24 horas. Um novo imóvel, amplo e confortável, será alugado para melhorar a capacidade de acolhimento.

Toninho indagou sobre a atenção da Secretaria Municipal de Saúde aos servidores da rede de ensino e Jaqueline explicou que a Secretaria Municipal de Administração, após a reforma administrativa, abarcou essa atribuição.

Três mil atendimentos

A coordenadora do Centro de Referência e Apoio à Educação Inclusiva (CRAEI), Regiane Amarante, afirmou que cerca de três mil crianças são atendidas e existe grande preocupação com o acolhimento às famílias, que chegam adoecidas ao órgão. Existe parceria com vários outros equipamentos públicos para ofertar o melhor atendimento possível às demandas apresentadas.

Gabriela Carvalho, secretária adjunta de Inclusão, Pasta recém-criada em Betim, explicou que vai buscar o diálogo franco com os setores envolvidos no tema para expandir a capacidade de atendimento à população.

Toninho mostrou números alarmantes acerca dos professores que são afastados do trabalho no Brasil devido a problemas mentais. O coordenador do Sind-Ute em Betim, Luiz Fernando Souza Oliveira, relacionou vários fatores que geram o adoecimento desses trabalhadores, tais como a falta de diálogo por parte do Poder Executivo, infraestrutura ruim nas escolas, falta de equipamentos de proteção individual para as cantineiras, sobrecarga de trabalho, sequelas da pandemia da Covid-19, entre outros.

A presidente do Conselho Municipal de Educação, Ana Paula Ribeiro Rosa, frisou que entre os profissionais negros o índice de doenças psíquicas é maior em comparação com outros grupos.

O vereador Rony Martins apresentou dados terríveis mostrando que no Brasil, a cada dez minutos, um jovem comete suicídio ou se automutila. Para reverter esse panorama é preciso criar empatia com esses jovens que sofrem de sérias doenças psíquicas.

O Balé da Comunidade lembrou que os alunos e professores passam muito tempo nas escolas e o Poder Público precisa ampliar sua rede de atendimento aos problemas relacionados à saúde mental. Baé defendeu que a família deve participar ativamente do dia a dia dos filhos para identificar qualquer sinal que possa indicar alguma tendência suicida.

O vereador do Município de São Joaquim de Bicas, Felipe Alvarenga, mostrou a necessidade de se unificar a atuação dos órgãos envolvidos no atendimento à saúde mental. Felipe lamentou que os jovens estão reféns de certa opressão determinada pelas redes sociais e o Poder Público tem a obrigação de combater esse mal.

Após o pronunciamento das autoridades, o público presente participou ativamente e formulou várias perguntas. O vereador Carlin Amigão também participou da Audiência Pública.