
A Câmara Municipal de Betim realizou Audiência Pública na tarde de segunda-feira (3 de junho), no Plenário Carino Saraiva, para debater a qualidade da água fornecida pela Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) para a região de Citrolândia. O evento foi solicitado pelos vereadores Carlin Amigão (PTB) e Gilson Baeta (PDT), por meio do Requerimento nº 535/2019.
Depois do rompimento da barragem de rejeitos da Vale no Córrego do Feijão, no Município de Brumadinho, no dia 25 de janeiro, os moradores de Citrolândia começaram a reclamar da água que chega às suas torneiras que, segundo eles, apresenta mau cheiro, alta concentração de cloro e sujeira. Uma cidadã apresentou uma garrafa pet cheia de água turva e salobra como exemplo.
Carlin Amigão frisou que o assunto precisa ser amplamente discutido para que se afiram os reais impactos ambientais causados em Betim pelo rompimento da barragem da Vale, principalmente no que tange à qualidade da água oferecida pela Copasa. O vereador visitou a mãe, que mora em Citrolândia, e revelou que ficou chocado com a coloração da água na residência.
Gilson Baeta deixou claro que não é contra as atividades da mineração, mas que a Vale tem de corrigir os seus erros e ajudar as pessoas atingidas a resolver os enormes problemas causados pelo rompimento da barragem em Brumadinho. Baeta sugeriu que a empresa ofereça contrapartidas para amenizar o sofrimento do povo, tal como a reforma e ampliação do Hospital Orestes Diniz. “As doenças vão aumentar e a estrutura atual já não é suficiente para atender a demanda da população”, explicou o parlamentar, que é nascido e criado em Citrolândia.
Outro representante do bairro, o vereador Lindoar Barroso (PHS) cobrou do Departamento Jurídico da Vale respostas concretas às demandas da sociedade e solicitou que a ajuda emergencial de R$1.000,00 seja estendida a todos os moradores de Citrolândia e não somente àqueles que residam num raio de até um quilômetro da calha do Rio Paraopeba. Requerimento nesse sentido será apresentado para apreciação da Câmara Municipal.
Dezenas de moradores se manifestaram ao microfone e extravasaram raiva, mágoa e revolta contra a Vale, acusando-a de “assassina”. Aos gritos de “água é para a vida e não para a morte”, as pessoas lamentaram a agonia do Rio Paraopeba, que se encontra impraticável para a pesca e natação, antigos hábitos de grande parte daquela comunidade.
A qualidade da água em determinadas localidades de Citrolândia foi criticada de modo enfático, além do lamento pela destruição da flora e fauna locais. De modo unânime, os moradores exigiram que a indenização emergencial da Vale fosse ampliada para toda a região de Citrolândia, sem distinção do local da moradia.
Providências
O representante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), entidade que nasceu há 32 anos, Michéias Ribeiro, reforçou que a água é um bem público e não pode se transformar em mercadoria. “É obrigação da Vale distribuir água de boa qualidade para o povo até que essa crise passe”, disse.
Já o gerente regional da Copasa, Mauro Diniz Carneiro, garantiu que á água fornecida em Citrolândia obedece a rígidos controles de qualidade e está perfeitamente apta para o consumo humano. “Pode haver algum problema localizado, mas a água que é oferecida em Citrolândia é a mesma que vai para o restante de Betim e nas outras regiões não há reclamação alguma”, afirmou.
Mauro se dispôs a ir pessoalmente às residências em que a água se apresenta turva para averiguar in loco a razão do problema. Para isso a Copasa colheu o endereço das pessoas que estavam presentes e que padecem com o problema da má qualidade da água. O gerente convidou a população a visitar o sistema da Copasa em Rio Manso para verificar o tratamento da água distribuída em Betim.
Logo após o rompimento da barragem da Vale a Copasa suspendeu imediatamente a captação de água no Rio Paraopeba para evitar contaminação dos reservatórios. A Região Metropolitana de Belo Horizonte é abastecida por duas bacias hidrográficas: a do Rio das Velhas e a do Rio Paraopeba, que abastece Betim. Três reservatórios atendem o município: Rio Manso (em Brumadinho), Serra Azul (em Juatuba) e Várzea das Flores (localizada na divisa de Betim com Contagem).
O representante da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Leonardo Gomes Lara, lembrou da dificuldade que a Prefeitura enfrenta do ponto vista legal para aplicar multa à Vale. “O Rio Paraopeba é estadual e como os rejeitos da barragem rompida atingiram a calha e não o solo, não podemos autuar a mineradora”, enfatizou.
Questionado por vários cidadãos acerca de indenização aos atingidos pelo rompimento da barragem do Córrego do Feijão, o gerente de Meio Ambiente da Vale, Vítor Pimenta, se esquivou e se ateve a questões relacionadas à agua. A Vale tem 66 pontos de monitoramento diário e constante no Rio Paraopeba e realiza obras de contenção para evitar que o restante dos rejeitos da barragem cheguem ao rio. A empresa desenvolve um plano de longo prazo para melhorar a qualidade da água no Paraopeba.
Também participaram da Audiência Pública os vereadores Klebinho Rezende (PSD), presidente do Poder Legislativo, Luiz Conexão (PDT)e Roberto da Quadra (PHS).



