Em entrevista recente ao jornal Folha Vale do Paraopeba, o prefeito Carlaile Pedrosa (PSDB), falou sobre o rompimento com o grupo político do qual fazia parte.
Ele também respondeu sobre assuntos que tem sido debatidos e questionados pela população como a rodoviária, o teatro municipal, saúde, e os eventos Betim Rural e Feira da Paz.
Na entrevista concedida ao jornal, Carlaile falou sobre propostas, mas não apresentou nenhum prazo para o cumprimento delas, como por exemplo a inaguração do novo parque de exposições da cidade.
Acompanhe a entrevista na íntegra:
– Quais foram os motivos que levaram ao rompimento com o Vitório Medioli?
Primeiro quero dizer que não houve rompimento da minha parte. Fiz aquilo que era direito meu. Quando o médico me deu autorização para voltar eu fui à Câmara protocolar a minha volta. Vitório e eu temos uma amizade de vinte anos. Ele me ajudou muito. Eu reconheço, sou grato por essa ajuda. Mas também eu
o ajudei em todas as vezes que foi candidato. Nós [governo] queremos o crescimento de Betim. A rivalidade acontece na campanha, passou a eleição o meu partido é Betim. Não nos encontramos [ele e Vitório]. Não sei o pensamento dele, mas da minha parte estou muito tranquilo e aberto para todo tipo de conversa que possa servir para ajudar a cidade.
- E com o vice-prefeito, Waldir Teixeira (PV)? Ele permanece em seu governo?
Ele não faz parte do governo. Mas, por telefone, eu o disse que a responsabilidade dele continua porque ele é um vice-prefeito eleito pela cidade.
- Waldir, ao assumir interinamente o governo municipal, chegou a dizer que a dívida da prefeitura chegaria a 500 milhões de reais, mas não explicou os motivos desse valor. O senhor confirma o montante divulgado por ele?
A dívida herdada, realmente, foi de R$ 205 milhões. Depois de um ano e quatro meses de governo, a gente financiou R$ 100 milhões, para custear as dívidas com o INSS e com o Ipremb. Pagaremos em 60 meses o INSS e 220 o Ipremb. Dos cem milhões que restaram, nós já pagamos R$ 97 milhões. Praticamente não temos mais dívidas do passado.
- O que tem sido feito para tirar a imagem de elefante branco que a rodoviária passou a ter? E quando a trincheira de acesso ao Metropolitan Shopping será construída?
Herdamos também esse problema sério que é o acesso. Achei justo a contrapartida do shopping construir a rodoviária. O projeto de construção já está nas mãos da ANTT e, deve ser aprovado nesta semana.
Com ele aprovado, poderemos construir a trincheira em parceria com o shopping. Estamos desapropriando o terreno da Volvo, um pátio de 12 mil metros quadrados, e mais uns dez mil metros do lado da rodoviária. Vamos construir a trincheira no próximo mês ou até julho. Será uma obra rápida.
A construção será custeada pelo shopping e o terreno pela prefeitura. Será um acesso rápido ao shopping, à rodoviária e a toda aquela região que deverá receber mais investimentos, como um grande hotel e um centro de convenções.
- E com relação ao Teatro Municipal e à UPA Norte? Quando essas obras serão entregues à população?
Nós já relacionamos todos os terrenos que temos hoje para fazer leilão. A Maria do Carmo [ex-prefeita] tentou fazer isso, mas conseguiu só alguns poucos terrenos que não foram suficientes para finalizar a
construção do teatro. O recurso é todo municipal. Mandaremos o projeto à Câmara para a permissão de leiloá-los. São pedaços pequenos de lotes que a prefeitura não tem condição de fazer nada. Então, com o leilão deles, a prefeitura tem condições de arrecadar até 15 milhões de reais. Ainda devemos gastar uns nove milhões nessa obra. Uma comissão da prefeitura foi criada para pilotar esse projeto. Queremos terminar a obra do teatro ainda na nossa administração. Vamos falar do Monte Carmo também?
- Sim, parece que há uma contrapartida deles também, não é mesmo?
Tem sim. Fizemos o projeto do viaduto que irá transpor a avenida Marco Túlio Isaac, ligando a (Rua) Inconfidência até a (Rua) São Paulo, acesso aos [bairros] Niterói e Bueno Franco. O projeto está praticamente pronto, e os proprietários do Monte Carmo nos darão a contrapartida de seis milhões de reais. Vamos aproveitar e construir uma avenida atrás do Parque Felisberto Neves, ligando a avenida José Inácio Filho ao centro da cidade.
- Na última vez que o entrevistamos, o senhor adiantou que iria substituir o asfalto da cidade. Isso irá acontecer?
A troca do asfalto na Avenida Amazonas é uma reivindicação de mais de vinte anos. Hoje, com seis milhões e quatrocentos mil reais, em recursos próprios, estamos fazendo a drenagem dos dois lados do
Cemitério do Cachoeira até a Metalsider, trocando o asfalto, instalando a iluminação dos dois lados e o canteiro central.
A Marco Túlio do Centro até o bairro Alterosas está ainda pior que o trecho do Cachoeira. No final do ano passado, assinei um contrato com a Caixa Econômica Federal de cem milhões de reais. O projeto está totalmente pronto, e pretendemos revitalizar 123 Km dos mais importantes corredores viários e asfaltar
60 Km de ruas. E o primeiro corredor a ser revitalizado é o da Marco Túlio. Vamos revitalizar o asfalto, instalar a drenagem e as pistas de caminhada e de ciclismo. É a primeira obra com este recurso. Queremos começar essas obras em agosto ou setembro desse ano.
- Uma comissão foi formada na Câmara para cobrar do governo de Minas mais investimentos em segurança pública e, de acordo com o vereador Eutair Antônio (PT), está sob sua responsabilidade marcar um encontro com o governador Alberto Pinto Coelho (PP). Essa reunião já foi marcada?
Segurança não é dever só do município, estado ou União. É dever de todos nós. Desde o ano passado, além da comissão criada na Câmara, temos o GGIM [Gabinete de Gestão Integrada Municipal] que reúne
representantes da prefeitura, do legislativo, Ministério Público e das entidades de classe.
Me incumbiram de marcar uma reunião com o governador. Já nos reunimos duas vezes com o secretário [de Defesa Social, Rômulo Ferraz]. Eu adiantei que a pauta do encontro com o governador é segurança pública e a construção da sede do nosso batalhão. Esse encontro deve ser marcado nos próximos
dias. A prefeitura doou o terreno de 10 mil metros quadrados, na avenida Marco Túlio Izaac, e o governo do Estado disponibilizou seis milhões para a obra do 33ºBPM. Foram feitos o projeto e a licitação, e a
obra já foi iniciada. Inclusive, convidei o governador para participar do lançamento da pedra fundamental em Betim.
Ele me disse que gostaria muito de participar disso.
- A saúde permanece em greve e a educação, depois de 23 dias sem atividades, decidiu retomar os trabalhos. Ambos não concordaram com o reajuste concedido pelo governo municipal, de 7% escalonados em duas parcelas. Como a prefeitura se posiciona neste momento?
A recomposição salarial de 7%, dividida em duas parcelas, é o valor máximo com que, hoje, o município pode arcar. Sabemos que, infelizmente, é um valor que está aquém do que o servidor precisa, mas, ainda
assim, é a maior recomposição salarial de todas as cidades da região metropolitana de Belo Horizonte, que estão fechando os reajustes em menos de 6%.
Respeitamos o direito de o trabalhador aderir à greve. Mas também primamos por cumprir a Lei de Reponsabilidade Fiscal, que não nos permite conceder mais neste momento.
- A saúde foi o principal tema de sua campanha eleitoral. Mas a área ainda é alvo de queixas de todos os lados. O que o governo Carlaile tem feito pela área?
Quando assumimos a administração, encontramos, por exemplo, o Hospital Regional com um surto da bactéria multirresistente KPC. Pouco tempo depois, o adequamos às recomendações da Vigilância Sanitária do Estado e controlamos o surto. Em seguida, reformamos o segundo, o quarto e o quinto andares, além da cozinha e da lavanderia. O quinto andar passou a ter capacidade de realizar até 1.200 cirurgias eletivas por mês. Antes, eram 700. Agora, estamos concluindo a reforma do pronto-socorro, e as obras seguirão para o primeiro e o segundo andares. Outro investimento que está sendo feito é a ampliação do setor de hemodiálise.
A previsão é que, até setembro deste ano, outras 200 vagas fixas sejam abertas. Neste um ano e quatro meses de governo, contratamos cerca de 300 médicos. Além disso, conseguimos, por meio de uma parceria com os governos estadual e federal, verba para a construção de novas 29 unidades de saúde. Além dessas unidades, outras três já estão em construção: as dos bairros Bandeirinhas, Dom Bosco e Betim Industrial. E as obras das unidades de saúde do Duque de Caxias e do Cruzeiro do Sul já estão em fase de licitação.
Também não estamos medindo esforços para abrir as portas da cidade para investimentos por parte da iniciativa privada.
Tanto que vamos receber mais uma unidade do Hospital Unimed. O empreendimento será construído na avenida Edmeia Matos Lazzarotti, sem contrapartida do governo. O Mater Dei anunciou recentemente a
compra de um terreno entre a avenida Marco Túlio Isaac e a Via Expressa. O espaço terá 256 mil metros quadrados.
Quando assumimos a gestão, havia apenas quatro equipes do programa Estratégia de Saúde da Família cadastradas no Ministério da Saúde. Hoje, já temos 83 equipes cadastradas e 18 em processo de cadastramento.
Esses investimentos são e serão nossas principais prioridades até o fim de 2016.
- Quando as nossas principais festas, Betim Rural e Feira da Paz, serão novamente realizadas por aqui?
Já no governo passado, o Poder Judiciário vetou o funcionamento do Parque de Exposições por causa do som. Quando assumi, tentei a liberação das duas festas, mas não tive autorização.
Você precisa de um espaço com estrutura e segurança para receber uma festa com 60 mil pessoas. Fizemos o projeto de uma PPP [Parceria Público Privada] do novo parque de exposições e conseguimos um investidor. Na próxima sexta-feira, 16, teremos uma reunião para colocar os critérios e mandar o projeto de lei para a Câmara de construção do parque o mais rápido possível. Será um parque moderno, no bairro Pingo D’água, o maior do Estado de Minas Gerais, com 890 mil metros quadrados e dez mil
vagas de estacionamento.
- Para finalizar, o que o senhor tem a dizer à população?
Eu não tive, ainda, a oportunidade de falar com os betinenses por um jornal. Eu queria dizer a alegria de voltar à prefeitura, praticamente em um novo mandato, de coração novo, com saúde total e com amizade grande. É do fundo do meu coração que eu agradeço as orações pela minha melhora e a todas as pessoas que oraram pela minha recuperação.
Quero retribuir com muito trabalho e dedicação à nossa cidade.
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