Pivô do esquema de desvios de verbas da Secretaria Municipal de Assistência Social durante a gestão de Léo Contador (DEM), o ex-assessor e locutor de Carlaile Pedrosa, Carlos Alberto Clarindo, o Carlão, estaria disposto a negociar uma delação premiada com o Ministério Público (MP).
A informação foi repassada à reportagem por fontes ligadas a promotores de Betim. Segundo elas, Carlão, que estaria preocupado com os problemas que ele pode ter com um eventual processo judicial e criminal por causa dos desvios de recursos públicos, estaria à procura de amparo na delação premiada. Consultas nesee sentido já teriam sido feitas à promotora que investiga o caso, Carolina Mendonça, para entender se ela pediria os atenuantes permitidos por lei.
A delação encurtaria os trâmites da investigação e levaria à identificação dos “cabeças” e do “modus operandi” da operação.
A reportagem entrou em contato com a promotora, que, através da assessoria de imprensa do MP, não quis dar detalhes do inquérito que já foi aberto. Ela também não atendeu ao pedido de esclarecimento sobre a delação premiada e disse apenas que requisitou novos documentos à prefeitura para concluir o inquérito.
Trabalho realizado por três auditores independentes, entregue pelo ex-controlador do município Robspierre Miconi ao prefeito Carlaile Pedrosa, à promotora Carolina Mendonça e ao presidente da Câmara Municipal, vereador Marcão Universal (PSDB), encontrou graves irregularidades, que apontam para desvio de R$ 1 milhão em convênios realizados entre a Semas e o Núcleo Assistencial Irmãos Glacus.
Através dessa auditoria, constatou-se que dezenas de cheques beneficiaram Carlão e sua irmã, que emprestava o nome para uma empresa de fachada, usando notas fiscais frias e clonadas.
Em cinco meses, mais de R$ 600 mil teriam sido desviados por meio de lanches fornecidos pela Glacus.
Mais cheques teriam caído em contas de outros cúmplices, mas sua identificação só poderia ser confirmada com a quebra de sigilo bancário. Deste cruzamento, apareceriam, de forma definitiva, os fornecedores e os operadores que participavam do esquema.
Somente em cheques suspeitos e descontados no caixa do Banco do Brasil e do Santander por cúmplices do esquema, explica Miconi, apareceram R$ 370.736,50 destinados ao ex-servidor Carlão, a Lourival Moreira (ex-funcionário do gabinete de Carlaile, que agora assume cargo no gabinete de Léo e que faz parte de uma prática de nepotismo cruzado), a Adriana Clarindo e figuras que constam como financiadores da campanha de Léo Contador.
Festas
Carlão, durante o período da farra dos convênios, realizou diversas festas e encontros sociais regados a buffet e muita bebida. Em uma das festas, em que ele comemorava seu aniversário com mais de 500 convidados, ocorreu o lançamento de pré-candidaturas que contariam com o apoio do prefeito Carlaile Pedrosa.
Entre os beneficiados pelas festanças estariam o vereador Weliton Abreu, o “Sapão” (PSB), e Carlaile Antônio, o Tatau, filho do prefeito e ouvidor do Departamento de Estrada e Rodagem (DER).
Carlão não foi encontrado pela reportagem.


