Salas com paredes mofadas, rachadas e com infiltrações, cozinhas em condições insalubres, com estoques de alimentos em baixa, parquinhos com brinquedos velhos e enferrujados. Essa é a realidade encontrada em vários Centros Infantis Municipais (CIMs), creches da prefeitura que atendem a centenas de crianças. O cenário de abandono do ensino público infantil de Betim, que vem sofrendo com a queda drástica de repasse de verba pela prefeitura nos últimos anos, foi flagrado pela equipe de transição do prefeito eleito Vittorio Medioli (PHS), conforme relatório apresentado à reportagem.
O CIM Dom Bosco é o que possui as condições estruturais mais precárias, segundo os integrantes da transição. “A fachada está em mau estado, as paredes das salas estão com rachaduras e mofadas. O teto está descascando por causa de infiltrações, e o telhado possui telhas caindo. Na cozinha, o piso está desgastado e o revestimento das paredes está se soltando. No refeitório, as mesas e cadeiras estão quebradas”, informou o relatório.
Ainda de acordo com a comissão, as tubulações de gás da creche, que hoje atende a 150 crianças, precisam passar por vistoria, pois existem indícios de vazamento de gás, o que coloca em risco à vida de alunos e funcionários. “As portas e janelas estão em mau estado, muitas nem fecham. Os vidros das janelas estão remendados com fita adesiva e os colchões usados pelas crianças estão desgastados. As salas de estudo não possuem forro no teto nem ventilação adequada. O espaço é quente, mofado e escuro”, descreveu o relatório.
Conforme dados da comissão, a creche ainda sofre com infestação de pombos e, no parquinho, os brinquedos estão velhos e enferrujados. “O espaço não foi devidamente construído para ser um centro pedagógico, por isso, passou por uma série de adaptações mal feitas”, detalhou o relatório.
Os integrantes da comissão de transição informaram ainda que, desde 2011, a Vigilância Sanitária Municipal vem notificando a creche por não ter extintor de incêndio, entretanto, conforme funcionários disseram a eles, para a instalação do equipamento seria necessário a elaboração de um projeto de alto custo, que a prefeitura teria se negado a pagar. “Os trabalhadores da creche disseram que a prefeitura queria que o centro infantil arcasse com tal investimento, o que eles disseram ser impossível, já que a verba repassada ao CIM Dom Bosco é de pouco mais de R$ 3.000, dinheiro usado para a compra de materiais de limpeza e pedagógicos”, declararam.
No centro infantil Dona Neves Ferreira, no bairro Santa Fé e que atende 44 crianças, o estado de abandono não é diferente. Na creche, a equipe de transição flagrou banheiros não adaptados para crianças, extintores vazios e sem placas de sinalização. A verba repassada pela prefeitura para o CIM seria baixa e, para cobrir os custos, pais e professores precisam promover bazares. “O estoque de alimentos deste centro infantil está em baixa, faltando feijão e outros alimentos”, informou a comissão.
Já no CIM Dona Nina, no bairro Citrolândia, a situação também é caótica. O local, que atende 233 crianças, possui infiltrações, telhas quebradas, rachaduras no chão e nas paredes. Falta capina, o piso dos banheiros precisa ser trocado, além de ser necessário efetuar a troca do revestimento, já que a fiação da creche está aparente. “O muro que divide a creche de uma invasão caiu, a prefeitura não reconstruiu e colocou uma contenção de lata no local. O portão da garagem está caindo. O CIM atende crianças cadeirantes, mas não possui rampa de acesso. Por isso, as professoras carregam nos braços as crianças com limitações físicas. A fossa está vazando, o piso da área de brincar está cedendo, e o espaço não possui cobertura”.
Sem vagas
Também no Citrolândia, a creche São Marcos vive uma realidade lamentável. O CIM é pequeno, as salas são apertadas, e, devido às limitações estruturais, o número de crianças que o local pode atender não supre a demanda da região. “Hoje, são 98 crianças na creche, porém, no portão há uma lista de espera com mais de 40 nomes de crianças que aguardam uma vaga”. Assim como os demais, o centro infantil também passa por problemas financeiros e sobrevive com a ajuda de doações.
Déficit de vagas
Pesquisa de 2013 feita pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) em parceria com a PUC-Betim mostra que município possui um déficit de cerca de 23 mil vagas em creches.
Posicionamento
A Secretaria de Educação informou que muitos CIMs foram reformados, sendo os problemas emergenciais a prioridade da gestão, devido ao agravamento da crise financeira do município.
A secretaria informou ainda que enviou relatórios, tanto dos CIMs, quanto das escolas do município, à comissão de transição, salientando sobre a necessidade de algumas reformas e adequações, além da acessibilidade de uma das instituições de ensino, para que se promova o pleno funcionamento das mesmas. A secretaria ressaltou que todos os problemas foram apresentados à equipe de transição de forma transparente.



