O prefeito de Betim, Vittorio Medioli, esteve em Brasília, na terça-feira (11), junto com a secretária municipal de Educação, Ellen Ises Mendes, e a superintendente de Educação Infantil, Marilene Pimenta, para solicitar ao Ministério da Educação (MEC) a revisão do plano de construção de creches no município. Na oportunidade, Vittorio apresentou um novo modelo desenvolvido em Betim que atende quatro vezes mais crianças com um custo bem menor de construção e de manutenção. Também participaram da visita os vereadores Layon Silva (PHS), Lindoar Barroso (PHS), Marcelino do Sindicato (PMDB), e o deputado federal Laudívio Carvalho (SD).
Foram destinados a Betim, desde 2012, R$ 18 milhões para o município construir 12 creches, mas com apenas 90 vagas cada uma, o que é insuficiente para atender a demanda reprimida da cidade, que hoje tem 3.074 crianças de 0 a 3 anos na fila de espera.
Esses R$ 18 milhões, disponíveis desde a gestão da ex-prefeita Maria do Carmo (PT), não foram aplicados na gestão de Carlaile Pedrosa (PSDB) por falta de interesse e por insistir com uma empreiteira que não cumpriu com o contrato.
Vittorio, ao assumir, questionou o plano e os contratos que atenderiam só a 1.080 crianças, ainda deixando um custo de manutenção mensal superior a R$ 435 por criança, enquanto que R$ 230 mensais em uma creche de maior porte seriam suficientes. “Os projetos de Betim que tramitavam em Brasília foram apresentados sem noção dos custos de funcionamento e de construção. Podemos construir unidades com qualidade melhor e com estrutura mais completa de atendimento, diminuindo o custo unitário de R$ 1,6 milhão para 90 alunos para uma creche de RS 1,3 milhão para 420 alunos”.
O prefeito afirmou que a economia na manutenção será de R$ 12 milhões anuais. “Se adotássemos um modelo equivocado e pior em qualidade e eficiência, não teríamos recursos suficientes para universalizar o atendimento. Disso partimos para um projeto totalmente diferenciado e inovador, que permitirá sustentabilidade e universalização. Queremos atender a 100% da demanda e em tempo integral para deixar as mães com possibilidade de trabalhar”.
No Ministério da Educação, a proposta foi bem acolhida e dado o sinal verde para “esquecer o projeto anterior e partir para o novo”. Cada creche terá 16 salas e dois berçários, com o custo mensal de R$ 230 por criança. Já o custeio da creche com 90 alunos já chegaria inviabilizado. “Com o mesmo volume de dinheiro, abrigaremos 5.000 crianças a mais”.
Para o prefeito, com essa mudança e os oito centros infantis que já se encontram acertados com contrapartidas da iniciativa privada, até final de 2018, Betim terá 20 novas e modernas unidades, possibilitando a universalização da educação com qualidade e em tempo integral. “Algumas creches conveniadas que não apresentam condições serão substituídas por novas instalações e repassadas às atuais instituições que operaram dentro de padrões de excelência”.
“Os centros infantis ocuparão área construída de 1.800 metros quadrados, terão assistente social, nutricionistas e o atendimento se dará por profissionais capacitados, sem substituir as atuais instituições, mas fortalecendo e apoiando para que toda a rede funcione dentro das normas de qualidade”.
Para o prefeito, as crianças que recebem um bom atendimento até os 5 anos terão facilidades no ensino fundamental e eliminarão a triste consequência do analfabetismo funcional.
Rede
De acordo com Medioli, o objetivo do seu governo é criar uma rede com 20 centros infantis municipais (CIMs), com 420 vagas cada um. “Isso responderia em cheio a demanda da cidade, com mais qualidade, e ainda oferecendo educação em tempo integral”, disse.
Várias dessas creches serão construídas através de contrapartidas de empresas. A Operação Urbana Consorciada do Córrego do Pintado, que está executando a Via das Indústrias, vai investir mais de R$ 4 milhões na construção de quatro unidades. Outros quatro CIMs serão construídos com investimentos privados, que vão atender cerca de 2.500 crianças de 0 a 5 anos. Só essas seis creches vão reduzir em 47% o déficit atual de vagas na cidade.
Segundo a superintendente de Educação Infantil, Marilene Pimenta, essas novas unidades vão seguir um modelo padrão. “Serão espaços mais amplos, com estrutura moderna, proporcionando acessibilidade e um melhor atendimento às crianças e aos educadores”.
Medioli quer retorno de repasse para projeto
Além da questão das creches, o prefeito Vittorio Medioli foi a Brasília buscar repasses de emendas parlamentares para o município. “Muitos recursos passam por Brasília e, por isso, precisamos manter esse elo. Visitamos parlamentares que destinam emendas orçamentárias e pedimos que eles se atentem às necessidade de Betim”.
Outro assunto tratado foi o programa “Mulheres da Paz”. Vittorio foi ao Ministério da Justiça solicitar que não seja cancelado o repasse federal para o projeto, que atende hoje a 50 mulheres e 70 crianças, que passam por formação de cidadania com o objetivo de fortalecer as redes sociais e proporcionar emprego e renda.
O Ministério da Justiça cancelou o programa no início do mês porque não havia sido implementado nos governos anteriores, apesar do repasse depositado. Mas, neste ano, o projeto, enfim, entrou em operação, em parcerias com outras entidades que atuavam no programa Árvore da Vida, ligadas a AVSI, movimento católico que atua em Betim há mais de 35 anos.
“Montamos o mais rápido possível o programa e o colocamos para funcionar, mas fomos surpreendidos com o cancelamento. Por isso, fomos ao Ministério da Justiça solicitar a revogação dessa medida. Mostramos a necessidade de continuar, pois já está operando em pleno vapor e com excelentes resultados”, disse o prefeito (JAA)



