Com as chuvas, buracos invadem ruas e avenidas de Betim

De diferentes dimensões e profundidades, essas armadilhas estão espalhadas por toda a cidade, demonstrando a má qualidade das vias públicas e...

O período chuvoso mal começou, e os motoristas que trafegam pelas ruas e avenidas de Betim já convivem com um dos grandes vilões do trânsito: os buracos. De diferentes dimensões e profundidades, essas armadilhas estão espalhadas por toda a cidade, demonstrando a má qualidade das vias públicas e o desperdício de dinheiro público.

Apesar de o governo municipal não ter informado quanto gastou ao longo dos quatro anos de gestão com obras de recapeamento e tapa-buracos, somente com o restauro da pavimentação, conforme contratos apurados pela reportagem, foram gastos pelo menos R$ 18 milhões. Mas, diante do cenário flagrado nesta semana, parece que tanta verba investida está indo por água abaixo.

No bairro Angola, por exemplo, um enorme buraco bem no meio do cruzamento entre as ruas Antônio Franco do Amaral e José Augusto Borges, atrapalha quem trafega no local. Durante os dez minutos que a reportagem observou o movimento da via, os condutores tentavam desviar, mas nem todos conseguiam. “Aqui em Betim está igual um labirinto. Você dirige e tem que ficar o tempo todo preocupado em desviar deles. Outro dia mesmo estava no centro e acabei passando em cima de um buraco bem grande, que quebrou minha suspensão. Passei o maior aperto”, reclamou o estudante Matheus Elias, 21.

Já na rua Pedro da Silva Fortes, no bairro Horto, o cenário não é diferente. Nesse caso, para evitar que carros passem em cima do buraco que está na via ou até mesmo que uma criança caia no local, moradores colocar galhos e uma faixa para alertar a população. “Faço entrega de alimentos e corro risco todos os dias, principalmente, à noite, quando tenho que pilotar uma moto. Um dia desses mesmo, não consegui desviar, passei em cima de um buraco, e cai no chão. Por sorte, não me machuquei. Agora, com a chegada da chuva, o número de buracos aumenta ainda mais e dá para perceber que a qualidade do asfalto de Betim é péssima. Tapam os buracos, mas logo depois eles voltam. A prefeitura não faz o serviço direito e só gasta o dinheiro do povo”, criticou o comerciante Firmino Pereira, 51.

Na avenida Juiz Marco Túlio Isaac, um dos principais corredores de trânsito na cidade, motoristas também precisam andar em ziguezague por causa da quantidade de buracos. Na avenida Belo Horizonte, no Niterói, um buraco ao lado de um quebra-molas surpreende os motoristas que trafegam pela via. “Como é o prefeito que nos representa, já passou da hora de ele tomar providências. O asfalto da cidade está péssimo. Na semana passada mesmo, cai em cima de um e destrui as ‘bengalas’ da minha moto. Aqui na avenida Belo Horizonte é um lugar muito perigoso. O buraco fica do lado de um quebra-molas, o que atrapalha as pessoas de verem”, disse o pedreiro Leandro Antônio, 26.

Falta fiscalização

Para o engenheiro civil pela UFMG e mestre em engenharia do transporte, Paulo Rogério da Silva, as prefeituras não têm competência técnica para fiscalizar a qualidade das obras executadas pelas empreiteiras de restauro, recapeamento e tapa-buracos, o que faz com que o serviço prestado pelas empresas seja de má qualidade. “Não utilizam um bom material nem executam a pavimentação como deveria. O serviço de tapa-buracos é paliativo e não basta apenas retirar uma pavimentação ruim e colocar uma nova, é preciso conservar o asfalto”.

Acidente

O excesso de buracos nas ruas de Betim quase provou uma tragédia na manhã do dia 30 de novembro. Ao passar em cima de um deles, um taxista perdeu o controle do carro e capotou o veículo na avenida Edmeia Mattos Lazzarotti, na altura do bairro Ingá. Por sorte, o motorista não se feriu. “Mas eu poderia ter morrido ou ter atropelado e matado alguém. Esse buraco está na avenida há semanas. Quando eu passei por ele não estava correndo. A velocidade permitida ali é de 60 quilômetros por hora e eu estava dentro desse limite. O que mais me revolta é que todo mundo paga imposto, mas não tem direito a ter nem um asfalto de qualidade”, disse o taxista José Célio, 49.

Omissão

Na quarta (7), a reportagem ligou para o secretário municipal de Obras, Nelson Dinelli Rodrigues, que se recusou a falar sobre os problemas da pavimentação na cidade. A reportagem enviou uma demanda para assessoria da prefeitura, que também não retornou.