Comerciantes protestam contra onda de assaltos

Depois, eles seguiram até a Câmara Municipal para cobrar do poder público e dos órgãos de segurança medidas para reduzir a criminalidade.

otbetim28-02a 1Comerciantes com estabelecimentos no centro, que têm sido vítimas de constantes assaltos nos últimos meses, se reuniram na terça (25), na avenida Governador Valadares, para protestar contra a onda de violência. Depois, eles seguiram até a Câmara Municipal para cobrar do poder público e dos órgãos de segurança medidas para reduzir a criminalidade.

Segundo a Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), os crimes violentos – roubo, homicídio, latrocínio, tentativa de homicídio, sequestro e cárcere privado, extorsão mediante sequestro, estupro e tentativa de estupro – pularam de 3.220 em 2012 para 4.126 no último ano. O aumento foi de 28%. Isso representa uma média de 11 crimes violentos por dia.

“Não basta apenas boa vontade dos policiais. É preciso um cerco maior contra a violência, a insegurança e a impunidade. Queremos mais câmeras de monitoramento e efetivo”, disse a comerciante Vânia Viana, que tomou a iniciativa de organizar o protesto depois de ter o seu estabelecimento assaltado duas vezes em um intervalo de apenas cinco horas na segunda (24). Outras três ocorrências já haviam sido registradas por ela neste ano.

Por causa disso, uma de suas funcionárias pediu demissão. “Em três meses trabalhando no caixa, já foram cinco assaltos. Estou traumatizada. Tenho medo de que uma tragédia aconteça e eu não possa ver a minha filha crescer. Por isso, preferi pedir demissão”, conta a atendente de caixa, de 30 anos, que pediu para não ser identificada.

O comerciante Elienício Carlos, 43, apoiou o movimento. Desde 2009, ele já teve a sua loja, na rua Rio de Janeiro, no centro, assaltada por duas vezes. No último crime, ocorrido no fim de semana passado e só descoberto por ele na segunda-feira (24), quando funcionários chegaram ao local para trabalhar, o prejuízo chegou a R$ 16 mil. “Hoje, o meu sentimento é de raiva. Com certeza, o meu caso é só mais um entre tantos outros. Não dá para trabalhar tranquilo. Agora, para recuperar esse prejuízo, só depois de seis meses de muito trabalho”, diz.

Segundo o comandante da 174ª Companhia, major Adriângelo Chaves, há uma atenção especial do 33° batalhão com o centro, porém, os criminosos, movidos pelo sentimento de impunidade, não se intimidam. Ele também reclama da ausência de um centro socioeducativo em Betim para abrigar os menores infratores. “Em dezembro, lançamos a Rede de Comerciantes Protegidos, cujo objetivo é diminuir as ocorrências de assaltos e furtos na região Central, e colocamos duas motocicletas e quatro viaturas à disposição dos lojistas. No entanto, a legislação cheia de brechas que temos no país e a ausência de um local para internar os jovens infratores têm dificultado a ação preventiva da PM”, reclama Chaves.

Já o tenente-coronel Humberto Sales Cordeiro, chefe do Centro de Tecnologia e Telecomunicações da PM em Minas, destacou que, no dia 25 de agosto, a cidade deverá receber 32 câmeras de monitoramento do programa Olho Vivo que haviam sido prometidas.

A previsão do Estado é que Betim também receba, em março, servidores civis aprovados em concursos da PM, a fim de se liberar um número proporcional de policiais para o policiamento ostensivo nas ruas.