Concurso de beleza negra gera polêmica por escolher candidata 'clara'

Algumas participantes do concurso questionam a escolha de uma das candidatas para representar uma das regionais na final, que acontece no dia...

O Concurso de Beleza Negra promovido pelo Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial da Secretaria Municipal de Governo, já começou com uma polêmica em sua primeira edição. Algumas participantes do concurso questionam a escolha de uma das candidatas para representar uma das regionais na final, que acontece no dia 11 de junho.

"É um concurso para representar a beleza negra mas eles escolheram como finalista uma garota de pele clara e cabelos lisos. Ela vai representar o quê?", questiona uma das candidatas que competiu com a escolhida. Segundo ela, entre os jurados, ela também não viu nenhum representante negro.

Segundo o presidente do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial, José Joaquim de Brito, o Janaúba, ​os critérios para a inscrição foram ter entre 16 e 30 anos e morar em Betim. Sobre o critério de ser negro, ele explica que não pode dizer que um candidato que se apresenta como negro não é negro.

"Para participar a pessoa, naturalmente, tem que ser negra, mas eu não posso dizer que alguém claro que chega lá não é negro. A menina escolhida, que foi alvo de críticas, tem a pele clara, mas os traços negros, como o nariz largo e os lábios grossos", explica.

Na final serão apresentados os 20 finalistas, sendo 10 mulheres e 10 homens. Um representante de cada gênero foi selecionado em cada uma das 10 regionais da cidade. A escolha dos jurados também ficou a cargo das regionais. Segundo Janaúba, o corpo técnico de cada regional é formado por cinco jurados, sendo que um deles é técnico.

A reportagem entrou em contato com a candidata selecionada, mas não obteve uma resposta. No Facebook, porém, ela se posicionou sobre a polêmica usando a lei 12.288/2010 que dispõe sobre a autodeclaração de pessoas pretas e pardas. Em seu parágrafo IV, a lei diz: "população negra: o conjunto de pessoas que de autodeclaram pretas e pardas, conforme o quesito cor ou raça usado pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), ou que adotam autodefinição análoga".

"Está na lei que se eu me considerar negra ou parda, quem são os jurados ou a equipe de produção para falar o que eu não sou? Quem não me aceitar que entre com processo e anule o concurso", disse.

​Em outro trecho ela reafirma que se considera negra. "Estão falando de preconceito contra negros, dos quais o sangue corre em minhas veias e de meus descendentes. Não vêem que estão me caluniando e acusando de ter comprado jurados que eu não conheço e me chamando de branca? O que seria isto? As pessoas querem defender o racismo de tal forma que as mesmas estão o cometendo. Se o concurso abre oportunidade para morenas se inscreverem, estão cientes de que a pele morena leva o sangue negro. Eu me considero negra!".