
A CPI dos Fura-Filas aprovou nesta sexta-feira (23) dois pedidos de informação à Prefeitura de Betim, sobre a investigação relativa à vacinação do deputado estadual Professor Irineu (PSL) feita pelo município
As informações serão encaminhadas à Comissão de Ética da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Professor Irineu pode ser punido com uma censura escrita ou verbal, mas também pode perder o mandato se os integrantes da comissão considerarem que ele se vacinou em circunstâncias incompatíveis com a ética ou quebrou o decoro parlamentar ao fazê-lo.
Na quinta-feira (22), a Prefeitura de Betim constatou, após investigação da Ouvidoria Municipal e da Corregedoria, que a imunização do deputado ocorreu de forma irregular.
Irineu recebeu a primeira dose da vacina na UBS Vila Cristina, no dia 14 de abril, às 14h. Ele tem 63 anos e estava fora da faixa etária que Betim estava vacinando naquele dia, que era de pessoas com 65 anos ou mais. O município também declarou que, diante da situação, a gerente da UBS onde foi realizada a aplicação foi substituída.
A CPI dos Fura-Filas não vai investigar diretamente o caso envolvendo o deputado Professor Irineu (PSL), uma vez que a Prefeitura de Betim já o fez. O objetivo é apenas repassar as informações para a Comissão de Ética para que as providências necessárias sejam tomadas.
“A Prefeitura de Betim já fez um trabalho de apuração muito ágil, muito bem feito e nós temos total confiança naquilo que foi levantado. Vamos encaminhar ao Conselho de Ética da Assembleia e às autoridades cabíveis o resultado apurado pela Prefeitura de Betim com muita transparência, com muita lisura porque todos têm que responder pelos seus atos, seja secretário, seja servidor público, seja cidadão e também um deputado”, afirmou o presidente da CPI dos Fura-Filas, o deputado estadual João Vítor Xavier (Cidadania).
A Prefeitura de Betim já havia manifestado a intenção de enviar a conclusão para a ALMG e também para o Ministério Público de Minas Gerais, para que as medidas cabíveis fossem tomadas.
A defesa do deputado Professor Irineu (PSL) informou que ainda não teve acesso à investigação feita pela Prefeitura de Betim e que protocolou, nesta sexta-feira (23), um pedido para receber os documentos. A assessoria do deputado afirmou que ele está tranquilo e confiante que o caso será esclarecido.
Quando o caso veio à tona, a defesa do deputado, que foi candidato à Prefeitura de Contagem em 2020, disse que ele tomou a vacina porque procurou a unidade e foi informado que se houvesse sobras ele poderia ser imunizado.
Porém, a investigação mostra que ele tomou a vacina por volta das 14h, portanto, em um horário em que ainda não é possível dizer se vai sobrar ou faltar imunizantes para a faixa-etária definida. A defesa dele também negou, na semana passada, que o deputado tenha furado a fila da vacinação.
Apesar de ter um sítio na cidade, o local de vacinação do parlamentar não seria a UBS que ele procurou, mas, sim, a UBS do bairro Bandeirinhas, onde ele disse que possui a propriedade.



