Muito mato e pichações. Esse foi o cenário de abandono encontrado pela reportagem no prédio onde deveria funcionar a Unidade de Atendimento Imediato (UAI) da regional Norte. O posto de saúde, que custou R$ 3,5 milhões aos cofres públicos, foi inaugurado no fim do mandato da ex-prefeita MDC, mas nunca chegou a funcionar.
Cenário parecido foi encontrado na região do Alterosas, onde a construção de uma nova UAI foi iniciada em 2012. Lá, a obra ficou apenas no alicerce. A situação revolta a população, que tem que enfrentar unidades lotadas e com falta de estrutura.
Para o vendedor Everton Salgueiro, a obra é mais um investimento esquecido pelo Executivo. “É mais dinheiro público jogado fora. Essa unidade é um sonho para a população. Foi aprovada no Orçamento Participativo e, após ser inaugurada, iria desafogar a superlotação nas outras UAIs da cidade”, disse.
A obra foi aprovada no Orçamento Participativo como a maior que seria feita na região. “O que era para proporcionar um atendimento de maior qualidade em prol da saúde do cidadão tem se transformado em um tormento”, disse a dona de casa Alzira do Vale. Ela ainda completa: “]As portas dessa UAI nunca foram abertas para a população. O imóvel está abandonado”.
Alterosas
Situação parecida enfrenta os moradores do Alterosas, considerada a maior e mais populosa região de Betim. Lá, segundo informativo veiculado pela própria prefeitura em setembro de 2010, foi iniciada a construção de uma unidade que iria proporcionar “mais espaço, melhor condição de trabalho e mais capacidade de atendimento à população”. No entanto, mais de três anos após o início da obra, o que se vê no terreno onde seria erguida a unidade são apenas uma terra vermelha batida e alguns tijolos que começaram a ser levantados há cerca de dois meses.
Na terça-feira (13), a reportagem esteve no local, e, segundo funcionários que trabalhavam na construção, será feito apenas o cercamento da área. “Fomos contratados por um empresário de Belo Horizonte, que nos pediu apenas para cercar o lote. Aqui não terá mais a UAI”, disse um dos pedreiros.
Moradores da região, que esperam ansiosamente pela nova unidade de saúde, se queixam da falta de informações. “Há dois anos, a prefeitura fez a terraplenagem do terreno, a fundação para a obra e cercou o lote com tapumes. Depois, a construção parou. Agora, há cerca de dois meses, alguns pedreiros voltaram a trabalhar no local, mas eles falam que não será erguida a UAI, e, sim, um galpão”, disse o autônomo José Carlos da Silva.
Para ele, a população foi esquecida. “O nosso sentimento é de revolta. Nós, os mais interessados na obra, não temos informações. O jeito vai ser continuar enfrentando a superlotação nas UAIs de Betim”, lamentou Silva.


