Fiéis fazem ato em solidariedade a padre afastado após confusão

Dezenas de fiéis fizeram um ato em solidariedade em frente à igreja São Francisco, no bairro Angola, na noite dessa quinta-feira (25).

Dezenas de fiéis fizeram um ato em solidariedade em frente à igreja São Francisco, no bairro Angola, na noite dessa quinta-feira (25). A ação aconteceu em solidariedade ao padre Geovane Marques, que se envolveu em uma confusão com fiéis do grupo de oração Jovens de Maria na última terça-feira (23). O padre está afastado de suas funções de pároco pela Arquidiocese de Belo Horizonte para a apuração dos fatos.

O ato em favor do padre foi organizado por fiéis após a confusão em que o sacerdote foi acusado de estar embriagado, conforme o boletim de ocorrência registrado pela Polícia Militar, por integrantes do grupo de oração quando o padre foi a igreja reclamar do barulho. Durante o ato, as pessoas que apoiam Geovane estavam vestidas de branco e com velas nas mãos.

“Vamos ficar do lado de fora de igreja, durante a missa que seria presidida por ele, para rezar e cantar em solidariedade ao padre. Não é para falar mal de ninguém, é apenas para demonstrar nossa solidariedade”, disse a estudante Lethícia Rocha.

A síndica Gisele Rodrigues foi outra participante. “Vim participar do ato porque o que aconteceu foi humilhante. Todos nós somos servos de Deus e não temos o poder de julgar ninguém. Temos que acolher, semear o amor e a paz dentro da igreja. Eu sou prova viva de que o padre Geovane buscou e renovou a minha fé e da minha família”, afirmou.

O empresário Heli Caetano Lopes conta que estava na sacristia no momento da confusão, na terça-feira (23). “Eu cheguei à sacristia e o que eu presenciei é que o padre estava totalmente controlado, pedindo para que o pessoal se acalmasse. Ele é nosso pastor, nem metade do que foi falado é verdade. Não houve quebra-quebra, nada disso. Foi uma covardia o que fizeram. Ele não estava alterado. No outro dia, acordei chorando pelo o que aconteceu na igreja, Fiquei muito triste”, afirmou.

A confusão
Segundo o boletim de ocorrência registrado pela Polícia Militar, tudo começou porque o sacerdote questionou o barulho feito pelos fiéis durante a reunião na igreja, na terça (23), como um “Carnaval generalizado”. A celebração estava sendo transmitida ao vivo pelo Facebook, e uma das pessoas do grupo aparece na gravação falando: “Nosso pároco está totalmente embriagado e agredindo com palavras e querendo agredir fisicamente membros do grupo de oração. Isso não é um homem de Deus”.

Segundo o registro da PM, os vizinhos teriam se queixado do barulho. Inconformado, o padre foi até a igreja “aparentemente bêbado”, conforme relato de testemunhas à polícia. Ele também teria pedido para que as pessoas parassem de gravar o que estava acontecendo. Outra fiel disse durante a gravação: “O grupo Jovens de Maria está há 20 anos nessa igreja e não é um falso profeta que vai acabar com isso aqui”.

Ao redor da igreja, alguns moradores e comerciantes entrevistados pela reportagem defenderam o padre e disseram que ele está sendo alvo de preconceito. “O padre é gente boa e calmo. Vem gente de muitos lugares participar da missa dele. Quinta-feira fica lotado. As pessoas têm é preconceito porque ele faz academia, disse um comerciante.