Fraudes forçam prefeitura a extinguir convênios

Alvos de graves denúncias de corrupção e de desvio de mais de R$ 1 milhão em recursos federais e estaduais, os convênios Socialização e...

Alvos de graves denúncias de corrupção e de desvio de mais de R$ 1 milhão em recursos federais e estaduais, os convênios Socialização e Pró-Jovem, que eram mantidos pela Prefeitura de Betim com o Núcleo Assistencial Irmãos Glacus, através da Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas), foram, enfim, extintos pelo governo municipal. A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa da prefeitura, através de nota oficial enviada por e-mail na última quinta-feira (8).

Mas o fim dos convênios ainda levará um tempo para ser publicado. “A entidade ainda possui vínculo com a prefeitura e precisa prestar contas. Por isso, a publicação da extinção dos convênios no “Órgão Oficial” só será realizada após a prestação de contas, que deverá acontecer com, no mínimo, 60 dias após o encerramento”, informou. Segundo a prefeitura, todas as pessoas contratadas através desses convênios foram notificadas e cumpriram aviso prévio até o dia 30 de abril.

A decisão apenas confirma as denúncias feitas pelo jornal O Tempo Betim. “Se os convênios foram extintos, é porque eles não fazem falta para a rede de assistência social do município. Agora, a prefeitura deve encontrar uma forma de recuperar o que foi desviado dos cofres públicos municipais. Isso é o que realmente interessa, e punir os responsáveis pelos desvios”, disse o ex-controlador geral do município Robspierre Miconi.

Trabalho feito por auditores independentes, entregue por Miconi ao prefeito Carlaile Pedrosa, à promotora Carolina Mendonça e ao presidente da Câmara Municipal, vereador Marcão Universal (PSDB), encontrou graves irregularidades, que apontam para desvios de mais de R$ 1 milhão.

Através da auditoria, constatou-se que dezenas de cheques beneficiaram Carlão e sua irmã, que emprestava o nome para uma empresa de fachada e usava notas fiscais frias e clonadas. Em cinco meses, mais de R$ 600 mil teriam sido desviados por meio de lanches fornecidos pela Glacus.
Mais cheques teriam caído em contas de outros cúmplices, mas sua identificação só poderia ser confirmada com a quebra de sigilo bancário. Deste cruzamento, apareceriam, de forma definitiva, os fornecedores e os operadores que participavam do esquema.

Somente em cheques suspeitos e descontados no caixa do Banco do Brasil e do Santander por cúmplices do esquema, apareceram R$ 370.736,50 destinados ao ex-servidor Carlão, a Lourival Moreira (ex-funcionário do gabinete de Carlaile que agora, assume cargo no gabinete de Léo), a Adriana Clarindo e figuras que constam como financiadores da campanha de Léo Contador.

Carlão, durante o período da farra dos convênios, realizou festas e encontros sociais regados a buffet e muita bebida. Em uma das festas, em que ele comemorava seu aniversário com mais de 500 convidados, ocorreu o lançamento de pré-candidaturas que contariam com o apoio de Carlaile Pedrosa (PSDB). Entre os beneficiados pelas festanças estariam o vereador “Sapão” (PSB) e Carlaile Antônio, o Tatau, filho do prefeito.