Após mais de uma década de espera, a tão sonhada ampliação do número de vagas da Hemodiálise do Hospital Regional, enfim, saiu do papel. Na última quinta-feira (30), a prefeitura inaugurou o segundo salão do setor, um espaço que, apesar de ter sido construído em 2011, estava até hoje inutilizado. Com a ampliação, o atendimento vai duplicar, passando de 210 para 432 vagas.
O vice-prefeito de Betim, Vinícius Resende, que representou o prefeito Vittorio Medioli na solenidade, falou sobre os benefícios que a abertura dessas novas vagas vai gerar aos pacientes. “Sabemos que a demanda por terapia renal crônica é muito grande. Muitos pacientes aguardam na fila de espera, muitos têm que ficar internados em hospitais para garantir o tratamento, ocupando leitos, e muitos têm fazer a diálise em outras cidades, o que é muito desgastante. Essa ampliação vai trazer mais conforto e um melhor atendimento para esses betinenses”.
A partir da próxima segunda-feira (4), 26 novos pacientes de Betim e de 12 municípios que compõem a microrregião de saúde já serão tratados na Hemodiálise do Regional. São pessoas com doença renal crônica que não tinham vagas fixas para fazer diálise e que, por isso, eram obrigadas a ficar internadas em hospitais da região para garantir uma vaga no setor. Mas até o fim de dezembro, a Secretaria Municipal de Saúde espera preencher em 100% a capacidade operacional da Hemodiálise do hospital, ou seja já estar atendendo os 432 pacientes.
“A ampliação da nefrologia do hospital é a maior conquista da microrregião de saúde dos últimos anos, que sofre, há uma década, com a demanda reprimida por esse tipo de serviço. Além dos 26 novos pacientes que serão contemplados a partir de segunda, nesse novo salão, que passou por uma reforma e recebeu equipamentos de ponta, já temos pelo menos 90 solicitações de transferência e logo chegaremos aos 432”, disse o secretário de Saúde, Guilherme Carvalho.
Parceria
A melhoria do serviço de nefrologia em Betim foi possível depois de que a prefeitura firmou um contrato, em outubro, com a Associação Evangélica Beneficente de Minas Gerais, conhecida como Hospital Evangélico. Desde antão, essa entidade filantrópica, sem fins lucrativos, assumiu a linha de cuidados em nefrologia, o que abrange desde consultas ambulatoriais, exames e procedimentos de hemodiálise até as internações.
Segundo Carvalho, além de aumentar as vagas de diálise no Regional, absorvendo a demanda reprimida da região, essa parceria vai proporcionar uma série de melhorias na linha de cuidados do setor. Uma delas é a liberação de 18 leitos de outros setores do Regional. Essas vagas eram ocupadas por pacientes com doença renal crônica que tinham que ficar internados na unidade para garantir vaga no setor.
“Outras melhorias também serão possíveis, como ampliar o ambulatório, aumentando o número de consultas especializadas em nefrologia. Também poderemos agilizar a colocação das fístulas (arteriovenosas no lugar dos cateteres no pescoço) nos pacientes e garantir em 100% o leito de retaguarda. Assim, se houver a piora do quadro de saúde do paciente, o mesmo terá um leito de tratamento garantido. Antes, quando não havia vagas para internação no Regional, esses pacientes tinham que ser tratados nas UAIs. Ao não ter mais que transportar 140 pacientes de Hemodiálise para BH, esses veículos também poderão ser melhor aproveitados, sendo usados para atender outras demandas da saúde”, salientou Carvalho.
Conforto e comodidade
Um dos grandes benefícios da ampliação do atendimento na Hemodiálise do Regional é o conforto e a comodidade que ela vai proporcionar aos pacientes.
Isso porque, além de terem que ficar horas aguardando que uma máquina faça o trabalho que o rim doente não pode fazer – o de limpar e filtrar o sangue –, muitos pacientes que não conseguiam vagas em Betim ainda tinham que enfrentar uma trânsito caótico, com ambulâncias lotadas, para fazer o tratamento em outras cidades.
Esse era o caso de Antônio Vicente de Jesus, 57, morador do Jardim Alterosas. Logo quando descobriu a doença, há quatro anos e dois meses, ele teve que ficar internado no Regional por 47 dias para fazer a diálise e, depois, acabou sendo transferido para uma unidade de Contagem, para garantir uma vaga.
“Fui informado nesta semana que serei transferido para Betim. Estou muito feliz. O desgaste de ir para outra cidade é muito grande. Assim como eu, outras pessoas que se tratam da doença estão ansiosos para serem transferidas para cá”, contou.
Para Valdemar Batista de Freitas, 53, presidente da Associação dos Pacientes Renais, Doadores e Transplantados de Betim, e paciente da hemodiálise há 35 anos, a inauguração do novo salão vai trazer muito mais conforto e comodidade aos pacientes. “Esse é um marco na história do serviço de nefrologia de Betim, que há anos espera por essa ampliação de vagas. Hoje, muitos moradores da cidade têm que se deslocar para Belo Horizonte para fazer diálise, o que é muito inviável. Há 21 anos me trato no hospital e nunca vi isso acontecer”.



