Uma pesquisa realizada pela Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) de Betim e pela PUC-Minas de Betim apontou um dado alarmante fruto do reflexo da crise econômica do país e do próprio município: 323 pontos comerciais do centro da cidade, que poderiam estar sendo ocupados como forma de negócio, estão fechados.
Esse número representa 24% dos 1.349 pontos comerciais apenas no centro visitados por alunos do curso de Administração da universidade, que participaram da pesquisa. O objetivo da pesquisa é fazer um levantamento do cenário comercial da cidade e apontar os principais desafios que o setor terá para se reerguer.
A pesquisa foi realizada entre novembro de 2015 e abril deste ano em 26 ruas e avenidas do centro, totalizando 1.472 imóveis visitados. Desses, 123 eram residências, e o restante (1.349) são pontos comerciais, que incluem lojas, prestadores de serviços (como estacionamentos, bancos, clínicas, escritórios de advocacia, entre outros). Foram visitados empreendidos filiados ou não à CDL-Betim.
“Foi um número muito alto de espaços com potencial de negócios fechados, e isso, só no centro. O que foi percebido é que há certa insegurança dos empresários com esse cenário de crises política e econômica do país”, explicou o coordenador do curso de Administração da PUC de Betim, Osvaldo Maurício de Oliveira.
O resultado do levantamento surpreendeu também a CDL-Betim. “Esse número nos assustou bastante. Nunca vi um cenário desse jeito na cidade. E o que mais me preocupa é que parece que não há preocupação das entidades para tentar melhorá-lo. Inclusive, grandes redes, como a Dadalto, fecharam as portas na cidade. Como a economia de Betim é concentrada na indústria, que está em crise, isso acabou afetando o comércio”, ponderou o presidente da CDL-Betim, José Barboza.
Ainda segundo Barboza, a cidade está pagando a conta pela falta de diversificação da economia. “Ficamos só concentrados na Petrobras e na Fiat, não conseguimos atrair outros tipos de investimentos ao longo do tempo, e estamos vendo as empresas comerciais e prestadoras de serviços deixando a cidade”, avaliou.
Durante os seis meses em que a pesquisa foi realizada, o agravamento da crise financeira no centro da cidade foi sendo observado. “No início dos trabalhos, percebemos que a quantidade de locais fechados era menor do que foi observada na parte final da pesquisa. Ou seja, podemos observar que, nos últimos meses, houve uma aceleração no número de espaços que foram sendo fechados”, observou a aluna Lourdes Carvalhares, que fez a pesquisa com outros quatro estudantes.
A partir de agora, outros bairros da região Central também será destino da pesquisa. “Com esse levantamento e parcerias que podem vir a ser feitas, poderemos traçar estratégias para mudar esse cenário. Os próprios empresários têm esperança disso”, acrescentou o professor Osvaldo Maurício.
Desafios
Dos 625 comércios visitados, 484 responderam à pesquisa e apontaram as principais questões que precisam ser melhorados no centro. Quatro aspectos foram os mais citados.
Um deles é a questão da infraestrutura do centro, apontada como ineficiente por 41% dos entrevistados. A falta de segurança é uma preocupação de 47% dos empresários. Já 53% deles disseram que não há valorização adequada do comércio local. Mas a principal queixa mesmo foi a questão do trânsito: 56% apontaram o tráfego nas ruas e avenidas como o ponto que mais precisa ser melhorado.
Outra constatação foi a característica do comércio, que é quase “familiar” de tão tradicional. Com a crise e o aumento do número de pessoas demitidas, esse cenário se acentuou. “Percebemos que alguns lojistas tiveram que demitir funcionários e, para não fecharem, colocaram pessoas da família para trabalhar no negócio”, disse a aluna Juliane Esteves, uma das pesquisadoras.
O baixo número de funcionários por negócio também chamou a atenção. Dos cerca de 500 comércios pesquisados, 274 tinham apenas até três funcionários, e 135 deles empregavam de quatro a dez pessoas.
Uma das questões apontadas pelo levantamento é a falta de investimento por parte dos lojistas: 54% dos que responderam não fazem publicidade de seu negócio. Além disso, 63% não possuem site da própria empresa, o que prejudica muito as vendas de seus produtos pela internet.



