Março já é o mês com mais óbitos por coronavírus em Betim

Segundo o boletim que fez o levantamento do perfil epidemiológico dos óbitos no município, até o dia 25, eram registradas 122 mortes de...

02-04-2021
Foto: AFP PHOTO/ NATIONAL INSTITUTES OF HEALTH/ NIAD

Os registros de casos e óbitos por Covid-19 referentes ao mês de março ainda não foram concluídos, mas os dados levantados até o último dia 25 já apontam que esse é o mês com mais registros de mortes de moradores de Betim com a Covid-19 desde o início da pandemia, seguindo, assim, tendência de todo o país.

De acordo com o boletim que fez o levantamento do perfil epidemiológico dos óbitos no município, até o dia 25, eram registradas 122 mortes de residentes da cidade que testaram positivo para o coronavírus. O número correspondia a 19,7% de registros de óbitos até aquele momento (eram 619 no total até o dia 25). Até então, o mês com mais registros de mortes era janeiro, com 86.

Outro dado que chamou a atenção é o aumento do número de mortes em pessoas abaixo dos 60 anos.
Conforme o boletim, atualmente, 19,1% dos óbitos são de pessoas que têm entre 50 a 59 anos. Esse índice, em relação ao ano passado, quase dobrou (eram 11,2% do total).

Das 619 mortes registradas na cidade até o dia 25, uma a cada quatro era de pessoas que tinham entre 20 e 59 anos (ou 24% do total).

“Está havendo uma mudança na faixa etária dos pacientes infectados e que desenvolvem quadros mais graves da doença, com pessoas jovens, com pouca ou nenhuma comorbidade, no máximo, sobrepeso, precisando de atendimento. Se na primeira onda a maioria dos casos era predominante em idosos, nas últimas semanas, os mais jovens estão sendo afetados. Uma das explicações é a vacinação dos idosos, o que aumenta a proteção deles. Mas há também a situação de que os mais jovens fazem parte da população que sai mais, precisa sair para trabalhar e se expõe mais ao vírus”, destacou a médica e coordenadora do Centro de Cuidados Intensivos (Cecovid 4), onde são atendidos os pacientes mais graves de Covid, Camila Arnold Isoni Pedra.

Camila, que também coordena o setor de UTI da Unimed em Betim, ressalta que o comportamento de parte das pessoas no relaxamento das medidas de prevenção e a participação em aglomerações refletiu nessa situação.

Outro fator que pode explicar o aumento de casos e da gravidade em pessoas mais jovens é a circulação das novas variantes do coronavírus.

“A gente tem questionado se as novas cepas estão relacionadas a esse cenário, pois são variantes mais transmissíveis. Muitos jovens estão chegando às unidades de saúde com um quadro muito avançado da doença. Uma da razões é a persistência deles em achar que não serão contaminados porque fazem o uso de medicamentos sem comprovação científica e, muitas vezes, de maneira indiscriminada, achando que vão ficar seguros da infecção. Tudo isso contribuiu para o aumento da pressão sobre o sistema de saúde”.

Por região e bairro
Segundo o boletim epidemiológico, a regional Alterosas é que a registrou o maior número de vítimas da Covid: foram 124 óbitos, seguida pela região Central, com 118, e a Imbiruçu, com 106.

Já em relação aos bairros, o Jardim Teresópolis foi onde mais moradores morreram infectados com a doença: 41 óbitos. O Citrolândia registrou 28 mortes, o Jardim das Alterosas, 25, o Laranjeiras, 22, e o São João, 18.
Mais da metade (52,1%) das vítimas era do sexo masculino, e 59,2% eram da cor parda ou preta. As comorbidades mais comuns são as doenças do coração, seguida pelo diabetes.

Idosos com mais de 60 anos representam 68% dos óbitos.