
Moradores da rua do Sossego, no bairro Citrolândia, em Betim, enfrentam há pelo menos 3 anos e meio uma situação que contrasta com o nome da rua: esgoto a céu aberto, rua sem pavimentação, presença de animais transmissores de doenças e problemas causados por uma obra inacabada da prefeitura.
De acordo com denúncias recebidas pela reportagem, funcionários da prefeitura disseram que fariam uma galeria para melhorar a rede pluvial e de esgoto da via. Porém, segundo os moradores, a obra não terminou e prejudicou a estrutura de casas e da própria rua.
“A gente não teve como falar nada porque não temos a escritura do imóvel, só temos o papel de compra e venda. Eles disseram que era de pouco prazo, mas essa obra nunca terminou. Depois que essa obra veio a minha casa toda rachou. Quando chove, inunda tudo porque a água do [bairro] Alto Boa Vista vem para cá”, conta uma das moradoras da rua, Eliane da Silva.
Eliane conta que o esgoto fica a céu aberto, o que contribuiu para o aparecimento de ratos e baratas. Ela diz que já procurou a prefeitura diversas vezes para resolver o problema, mas nada foi feito.
“A gente já foi atrás de tudo. Já veio a Defesa Civil, prefeito, secretária de obra e nada. Juntamos alguns moradores, começamos a falar, cobrar, mas mesmo assim não tivemos retorno de nada. Dois vereadores são moradores daqui e estão cientes do nosso problema. Sempre eu estou atrás nas redes sociais, WhatsApp, mando mensagem cobrando. Eles vêm aqui, prometem, prometem, prometem, mas não fazem nada”.
Em nota, a prefeitura de Betim informou que a obra foi paralisada porque a empresa vencedora da licitação desistiu do contrato. Conforme a administração municiapal, a empresa considerou que os valores oferecidos para a pavimentação eram baixos e não atenderiam à expectativa. Foram solicitados recursos adicionais, “os quais a Prefeitura de Betim não dispunha e precisou recorrer à revisão do projeto junto à Caixa Econômica Federal”.
Segundo a prefeitura, a expectativa é de que o retorno da Caixa seja dado em até 60 dias e, posteriormente, uma nova licitação seja aberta para a realização das obras. A nota ainda diz que “na próxima semana, está agendada uma obra pontual na região para tratar de um bueiro”.
Veja a nota na íntegra:
De acordo com a Empresa de Construções, Obras, Serviços, Projetos, Transportes e Trânsito de Betim (Ecos), a obra foi paralisada por conta do processo licitatório em que a empresa vencedora desistiu do contrato em virtude dos valores para os serviços de pavimentação não atenderem à sua expectativa, que achou pouco. Como asfalto está diretamente ligado ao petróleo - matéria-prima cujo valor oscila muito no mercado por receber influência do dólar - a empresa pediu recursos adicionais, os quais a Prefeitura de Betim não dispunha e precisou recorrer à revisão do projeto junto à Caixa Econômica Federal. Uma vez aprovado pelo banco estatal, a ECOS dará de imediato início a um novo processo licitatório.
Estão previstas no projeto intervenções como contenção de vias com gabião, contenção com concreto armado, pavimentação de vias, execução de sarjetas, meio-fio, drenagem pluvial, redes coletoras de esgoto em interior de quarteirões e caixas de manobras de rede de água. A expectativa é de que este retorno da Caixa Econômica Federal, sobre recursos para realização de um novo edital de licitação, seja dado em até 60 dias.
Na próxima semana, está agendada uma obra pontual na região pela Diretoria de Manutenção de Obras Públicas da ECOS para tratar de um bueiro, porém não diz respeito ao montante de intervenções necessárias para a região.



