MP diz que Secretaria de Meio Ambiente usa comissionados ilegalmente

Segundo as promotoras Carolina Mendonça Ana Luíza da Costa, os dois funcionários em comissão foram nomeados para os cargos de auxiliar de...

O Ministério Público local notificou a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semeia) após comprovar que o secretário da pasta, Luciano Flório da Silveira, colocou cargos comissionados para exercerem irregularmente funções próprias de servidores efetivos, realizando, inclusive, a emissão de laudos ambientais.

De acordo com as promotoras Carolina Mendonça Ana Luíza da Costa, os dois funcionários em comissão foram nomeados para os cargos de auxiliar de gabinete e supervisor II. Porém, segundo o Ministério Público, esses servidores estão “fazendo atividade própria de cargo de provimento efetivo – agente ambiental –, inclusive, emitindo laudo pericial”, o que é ilegal. Ainda conforme o MP, a lei foi burlada. “Ocorre que os cargos para os quais os servidores nomeados em comissão foram cedidos, encerram atividades, atribuições ou funções permanentes da Administração Pública, constituindo nítida burla à regra do provimento de cargo público por meio de concurso”.

Em outro trecho de sua recomendação, o MP completa. “Nota-se da maneira que o município de Betim está utilizando cargos comissionados para maquiar contratações temporárias ilegais, evidencia violação ao princípio do concurso público”.

Outro ponto apontado pelo MP para comprovar a irregularidade é que o trabalho exercido por esses cargos de confiança compromete e coloca em risco em risco a decisão técnica, principalmente, o trabalho feito pela secretaria de Meio Ambiente. “Em matéria ambiental, a preocupação de central é com a prevenção ou a máxima mitigação de quaisquer danos ambientais. Trata-se de respeito ao princípio da precaução, mandamento nuclear do Direito Ambiental, segundo o qual se deve evitar os riscos potenciais e sempre tentar prevenir a degradação ambiental”, explicou.

Com a sua explanação, a promotora Carolina Mendonça recomenda que a prefeitura retorne com os funcionários para os cargos pelos quais foram nomeados, e que a Semeia não coloque cargos comissionados para exercerem cargos de agente ambiental I e II “por não terem atribuições para emitirem laudo pericial”. Caso a prefeitura não cumpra a decisão do MP, o prefeito e o secretário podem responder por crimes administrativos.

Segundo um funcionário da secretaria, os agentes ambientais são os únicos que podem emitir laudos. “São eles que fazem as autuações e infrações após fiscalizarem as denúncias e outras demandas para tentar evitar danos ambientais. No momentos, todos os agentes são formados e concursados”.

A prefeitura respondeu que vai acatar a recomendação do Ministério Público. “Entretanto, a elaboração de laudos periciais não é função exclusiva dos agentes ambientais”, declarou em nota.