
O mês de março, o pior da pandemia até agora, bateu recorde no registro de sepultamentos nos cemitérios públicos de Betim.
Conforme balanço da prefeitura, foram realizados 335 enterros nos quatro cemitérios geridos pelo município – Citrolândia, Colônia Santa Isabel, Parque do Cachoeira e Nossa Senhora do Carmo –, o maior número para um único mês na cidade.
Desse total registrado em março, metade (166) foi de pessoas com confirmação ou com suspeita de Covid-19. Até então, o mês em que mais foram registrados sepultamentos de vítimas da Covid tinha sido dezembro, com 69 enterros. O número de março deste ano é 140% maior.
Aliás, os três primeiros meses de 2021 também foram os com maiores sepultamentos realizados no município. De janeiro a março, foram 748.
Já no mesmo período de 2020, antes de ter vítimas do coronavírus, foram 467. Do total de sepultamentos no primeiro trimestre deste ano, 37,5% foram de vítimas do coronavírus.
“Desde o fim do ano passado, o número de sepultamentos nos cemitérios públicos apresentou um aumento. Mas, em março, realmente, a quantidade assustou. Foi uma média de dez enterros por dia, enquanto que, antes da pandemia, eram cinco, seis. Anteriormente, a média mensal variava de 150 a 170 enterros, e em março, foram 335, um crescimento muito grande. É o maior registro em um único mês”, constatou o responsável pela gerência de cemitérios vinculada à Empresa de Construções, Obras, Serviços, Projetos, Transporte e Trânsito (Ecos), Márcio Aurélio Martins.
Desde o início da pandemia, o mês com maior número de sepultamentos até então havia sido dezembro, com 232, sendo 69 vítimas da Covid. Em janeiro deste ano, o número também foi alto, com 218 enterros. No mesmo mês de 2020, tinham sido 142.
A pandemia também alterou a forma de velar os entes queridos. Caso a pessoa a ser sepultada tenha sido vítima de Covid ou com suspeita da doença, não é permitido o velório.
“Quando o carro da funerária chega, o caixão vai direto para o local onde será o sepultamento. Pode haver apenas dez pessoas no local, que terão cerca de dez minutos para uma última despedida”, completou Martins.
Caso a pessoa não seja uma vítima de Covid, poderá ter um velório de apenas duas horas, mas com apenas dez pessoas por vez, em revezamento. As medidas de biossegurança, como medição de temperatura, uso de máscara e de álcool em gel, estão sendo tomadas e devem ser respeitadas por todos.
Sentimento
A família da doméstica Andressa Ferreira, 39, foi uma das que não puderam fazer velório para a prima, que morreu por suspeita de Covid, no mês de março.
“Nós já tínhamos sido avisados que não poderíamos ir ao velório, mas eu fui assim mesmo. No entanto, tive que ficar do lado de fora do cemitério, vendo o enterro à distância. É muito triste uma situação dessa. Parece que a dor fica maior ainda”, contou a doméstica.
Melhorias nos cemitérios
Desde 2017, a prefeitura investiu quase R$ 4 milhões em obras estruturais e de manutenção nos cemitérios municipais, como reforma de velórios, concretagem e pavimentação das vias de acesso, construção de dois ossuários, digitalização de documentos, além da instalação de câmeras de segurança.
“Cuidar de cemitérios é uma das missões mais complexas da Ecos, pois estamos tratando de espaços em que as pessoas visitam no momento mais difícil, que é a perda de um ente querido. E foi com um olhar diferenciado e cuidadoso que buscamos lidar com esses locais, de forma humanizada, com responsabilidade e sensibilidade”, afirmou a presidente da Ecos, Marinésia Makatsuru.



