O declínio quase que inevitável da administração Pedrosa

Vivendo momentos difíceis em sua administração, o prefeito Carlaile Pedrosa (PSDB) passa longe da avaliação positiva que chegou a receber...

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Vivendo momentos difíceis em sua administração, o prefeito Carlaile Pedrosa (PSDB) passa longe da avaliação positiva que chegou a receber durante seu mandato na prefeitura, de 2001 à 2008, quando conquistou quase 70% da aprovação popular, segundo informavam as pesquisas.

A primeira queda do prefeito pode ter começado quando ele tentou eleger seu sucessor, o hoje, deputado estadual Rômulo Veneroso (PV), em 2008. Ele acabou perdendo nas urnas no primeiro turno para a candidata Maria do Carmo Lara (PT).

Dois anos depois, Carlaile volta ao cenário político como candidato a deputado federal em 2010 e é eleito com 128.304 votos. Além disso, sua influência política na cidade conseguiu um resultado expressivo para os tucanos, Aécio Neves e Antonio Anastasia, respectivamente eleitos senador e governador.
Já o candidato a presidente José Serra (PSDB) patinou nas urnas ficando em terceiro lugar no primeiro turno, perdendo para a Marina Silva (PV). Mesmo assim, Serra enfrentou Dilma Rousseff (PT), no segundo turno, mas obteve menos de 35% dos votos dos betinenses.

Em Brasília, com carimbo de deputado federal no currículo, Carlaile pouco fez na Câmara dos Deputados e não conseguiu representar-se como oposição ao governo petista. Além disto, apareceu pouco no cenário municipal enquanto deputado.

Já em 2012, com a cidade enfrentando sérios problemas na saúde e com aumento na violência, novamente Carlaile Pedrosa se lança candidato a prefeito e promete cumprir o que a prefeita não havia conseguido durante seu mandato. Em seus discursos, suas palavras convenciam que ele era candidato ideal para solucionar os problemas e colocar Betim novamente nos trilhos.
O resultado veio nas urnas como uma vitória expressiva de 68,09% contra a candidata à reeleição, a ex-prefeita Maria do Carmo Lara (PT).

Empossado em 1º de janeiro de 2013, o novo prefeito fez duras críticas a gestão anterior em seu primeiro discurso e presenciou a ex-prefeita ser vaiada pela população no Ginásio Poliesportivo durante a solenidade de posse.

Desde então, as nomeações feitas por ele na administração pegou muita gente de surpresa. As lideranças comunitárias foram ignoradas, e no lugar deles, foram coladas pessoas desconhecidas e ligadas ao ramo empresarial, medida que o prefeito chamou de administração técnica.

Já as denúncias de compra de votos de carroceiros durante a eleição parecem não ter surgido efeito imediato, uma vez que ela ainda está sendo julgada. E pela velocidade em que os processos se arrastam na justiça brasileira, o assunto pode demorar a vir à tona novamente.

Por outro lado, o rombo financeiro deixado pela gestão passada o teria impedido de realizar suas promessas de campanha. Mas, ao invés de buscar alternativas, Carlaile, utilizou a dívida como desculpa por não ter conseguido realizar nenhuma delas. Não apresentou nenhuma solução.

Enquanto isso, os cargos no primeiro escalão inflavam a máquina pública como uma espécie de pagamento pelo que foi prometido durante a campanha eleitoral. Os selecionados eram orientados a escolher entre o cargo disponível com salário "moderado" ou ficarem de fora do governo.

No inicio do ano, Carlaile se ausenta do Executivo para realizar uma cirurgia cardíaca. E em seu lugar, o vice-prefeito Waldir Teixeira (PV) torna-se prefeito em exercício
Neste período, várias mudanças são realizadas por Waldir para conter os gastos da máquina e quitar as dívidas do município. Exonerações, mudanças no secretariado, fechamento de secretarias e quebra de contratos com empresas que prestavam serviços para a prefeitura são feitos em tempo recorde. A chamada medida de austeridade visava reduzir gastos, pagar dívidas e realizar obras mesmo que em pequenas escalas.

Após as mudanças, Carlaile, faz um retorno surpresa a prefeitura, pouco mais de 30 dias após ter se afastado. Como um furacão, o prefeito demite todo secretariado empossado pelo vice durante sua ausência. Acusa o grupo de boicote contra sua gestão. E põe fim na aliança entre ele e o empresário Vittorio Medioli.

Juntamente com as demissões, Carlaile, solicita uma auditoria na prefeitura e impede que os secretários exonerados entrem em suas salas para retirarem seus pertences pessoais. Segundo o próprio prefeito, eles poderiam retirar documentos importantes que seriam necessários para a auditoria. esta medida foi realizada com acompanhamento da Polícia Militar que barrou os ex-secretários.

Desde então, Carlaile isolou-se de toda forma de contato com a imprensa, a população e integrantes do seu antigo grupo, chegando a dobrar o número de seguranças na porta do seu gabinete como medida de segurança ou para evitar tumultos populares.

Como resposta, o jornal semanal do empresário Vittorio Medioli vem apresentando documentos que colocam em xeque a forma como o prefeito tem conduzido a administração.
No escândalo do Semas, no qual seu ex-secretário Leo Contador estaria supostamente envolvido, cheques exigidos de empresários são exibidos toda sexta-feira no jornal.
O assunto veio a transitar na Câmara Municipal, onde a bancada petista pede a realização de uma CPI para o caso. Mas até o momento, o número de assinaturas é abaixo do número exigido.

Hoje, sexta-feira (28), o jornal do empresário vem com a matéria intitulada - CORRUPÇÃO E NEPOTISMO CRUZADO NA PORTA DE CARLAILE, o jornal mostra que existe uma espécie de complô entre o ex-secretário do Semas e o braço direito do prefeito, Jacinto Franco. Jacinto é casado com Patrícia Franco, que foi nomeada por Carlaile como presidente da Apromiv. Por lei, é proibido que dois membros da mesma família ocupem cargo de nomeação em qualquer órgão público.

A imprensa também mostra enfaticamente os problemas da cidade, como o aumento no número de roubos, homicídios e a demora da prefeitura em dar seguimento às ações da gestão passada. Uma vez que ela é responsável direta pela continuidade do governo, principalmente quando ele atende aos interesses da população.

A crise também pode afetar a eleição deste ano. Já que o senador Aécio Neves (PSDB) é pré-candidato pelo partido à presidência. Com Carlaile em baixa, o presidenciável tucano pode querer apenas uma pequena parceria entre ele e o prefeito para não prejudicar sua imagem nas urnas e correr o mesmo risco que teve José Serra (PSDB) e ficar em terceiro lugar.
O mesmo aconteceria com os candidato ao governo e deputados que queiram pedir apoio do prefeito na cidade.

Ao que tudo indica e pelo que foi mostrado no BETIM ONLINE, sem querer fazer alguma apologia antigovernista, essa crise política ou administrativa pela qual a cidade tem enfrentado, prejudica somente sua população. E enquanto nada for feito, todos os betinenses vão continuar enfrentado problemas nas áreas da saúde, educação, segurança, transporte, esporte, e muitas outras.