Muitos betinenses que buscam fazer suas compras em um ambiente mais seguro e com mais comodidade têm enfrentado um pesadelo no Partage Shopping Betim. De acordo com denúncias feitas por clientes e funcionários do centro de compras, a criminalidade no local tem amedrontado a população. Para se ter uma ideia, somente de janeiro do ano passado até a última quarta-feira (10), mais de 80 ocorrências de furtos e roubos foram registradas dentro mall e nas suas imediações. O levantamento foi feito pela reportagem com base em boletins da Polícia Militar.
Um dos casos mais recentes ocorreu no dia 4 de janeiro com a dona de casa Carolina Assis Rezende, 33. Após fazer suas compras, ela contou que foi até a entrada do shopping esperar seu marido, por volta das 21h30, quando acabou sendo abordada por três adolescentes, dois deles armados, que roubaram seu celular e suas compras. “Tive um prejuízo total de R$ 1.600. Chegaram a me agredir, me empurrando. Não reagi, mas fiquei apavorada, pois como eles pareciam estar drogados e estavam muito nervosos, tive medo que eles atirassem em mim. Depois do ocorrido, fiz uma ocorrência, mas não consegui meus pertences de volta. Mas acho que falta mais policiamento fora do shopping. Os seguranças de lá também deveriam ficar mais próximos da saída, para tentar inibir os bandidos”, sugeriu ela.
Outra vítima da criminalidade nas imediações do centro de compras é Ketlen da Silva, 21, ex-funcionária de uma loja que fica dentro do shopping. Em fevereiro de 2016, ela disse que foi assaltada quando saia do mall, depois de um dia de trabalho. “A insegurança ali é muito grande. Logo quando inauguraram o shopping, queimaram o filme por causa dos arrastões que estavam ocorrendo. Quando trabalhava lá, sempre ficava sabendo de funcionários que eram furtados. Tinha vez que eu dobrava e tinha que sair após as 22h. Morria de medo de ficar no ponto de ônibus e ser assaltada de novo”.
E para quem pensa que depois de entrar dentro do shopping, clientes e funcionários estão a salvo da criminalidade, a situação não é diferente. Para se ter uma ideia da ousadia dos bandidos, um policial militar, que pediu para não ser identificado, contou que teve a carteira furtada no ano passado, com mais de R$ 1.300 em dinheiro dentro. “Fui pagar a entrada para um brinquedo e coloquei a carteira em cima do balcão. Olhei para o lado e, logo depois, ela não estava mais lá. Foi questão de segundos. Fiquei impressionado com a ousadia dos bandidos”, afirmou.
Revoltado, o policial criticou ainda a forma como a investigação do furto foi conduzida pela equipe de segurança do centro de compras. “Aquele shopping é cheio de falhas. Quando acionei a segurança, o chefe deles me tratou com muito descaso. Pedi para ver as filmagens da câmera de monitoramento para tentar identificar o autor, mas não deixaram. Disseram apenas que, no momento que ocorreu o furto, a câmera não tinha virado e não flagrado o autor. Fiquei com tanta raiva que depois do que aconteceu nunca mais voltei ao shopping”, revelou.
Outra cliente que foi vítima de furto nas dependências do Partage foi Brenda Luiza, 19. Há três semanas ela teve o celular levado por outra mulher, no momento em que foi lavar as mãos do seu irmão mais novo, dentro do banheiro feminino. “Deixei o telefone em cima da pia. De repente, quando olhei, o aparelho havia sumido. A mulher estava muito bem vestida. Nunca imaginaria que ela seria uma ladra”, disse. Assim como o militar, Brenda também reclamou do descaso da equipe de segurança do shopping. “Pedi para verificar as filmagens, mas não fizeram questão nenhuma e ainda disseram que não poderiam fazer nada por mim”.
Nega problemas
Por meio de nota, a assessoria de comunicação do Partage declarou que, “ao contrário do mencionado na nota enviada, não temos ocorrências de furtos e roubos registradas no interior do shopping”. O shopping informou ainda que a “segurança patrimonial do shopping, por força de lei, só pode zelar pela sua área interna”, portanto, “a segurança do entorno do centro de compras, fora dos limites do empreendimento, é de responsabilidade da Polícia Militar e da Polícia Rodoviária Federal”.
O mall esclareceu também que quando recebe informações de clientes sobre ocorrências na área externa, presta apoio até o limite que é imposto pela lei, e que sempre reporta os fatos às autoridades responsáveis. “Quanto as imagens das câmeras de segurança, todas são registradas e arquivadas. Entretanto são protegidas nos termos da lei e só podem ser disponibilizadas mediante solicitação das autoridades (judiciário ou polícia judiciária)”, finalizou o shopping por meio de nota.
Reforços de militares
Segundo o tenente-coronel Adriângelo Chaves, responsável interinamente pelo 33º Batalhão da PM de Betim, todos os dias, entre às 19h e 22h, uma viatura da Polícia Militar fica parada próxima à passarela do shopping para garantir a segurança dos funcionários, moradores e trabalhadores. “Mas, em fevereiro, devemos receber novos efetivos e iremos reforçar o policiamento naquela região”.



