Pacientes flagram uso de drogas no Hospital Regional

Enquanto conversavam tranquilamente, em uma área aberta onde ficam guardados os equipamentos da lavanderia do Hospital Regional, uma mulher...

Enquanto conversavam tranquilamente, em uma área aberta onde ficam guardados os equipamentos da lavanderia do Hospital Regional, uma mulher senta, abre a carteira e retira um papelote de dentro. Ao mesmo tempo, um rapaz, de cabelo loiro, pega o material e coloca nas mãos. Trata-se de uma porção de maconha. Depois, ele pega um pedaço de papel, coloca a droga dentro, enrola e lacra o “cigarro de maconha” com a própria saliva. Outra pessoa do grupo aparece com um isqueiro. Eles acendem o “cigarro” e o repassam de mão em mão, para que todos possam dar um trago. A fumaça toma conta do ambiente. A cena descrita acima, filmada por pacientes e enviada à reportagem nesta semana, demonstra a facilidade com que usuários e as pessoas que vão visitar pacientes internados conseguem entrar com qualquer tipo de material no Hospital Regional.

Não bastasse a falta de medicamentos e de materiais básicos, usuários e servidores da unidade são obrigados a conviver com o consumo de drogas que ocorre no local. A situação, ainda conforme a denúncia, seria frequente. “À noite os funcionários que ficam na lavanderia têm dificuldade para trabalhar. Entram com comida, bebidas e qualquer tipo de droga aqui. Já vi gente até fumando crack. É uma festa nesse local. Daqui a pouco, vão fazer até churrasco”, criticou uma servidora da saúde, que falou sob anonimato.

A falta de segurança na unidade realmente tem deixado usuários e servidores aterrorizados. E essa situação, segundo funcionários, piorou com a retirada do guarda-volume no hospital, desde no dia 1º de julho. Antes as pessoas não podiam entrar com bolsas na unidade. “Sabemos que alguns hospitais não têm guarda-volumes, mas tirá-lo daqui foi um retrocesso. A unidade é muito desorganizada. Além disso, não podemos revistar bolsas, não somos policiais. Essa situação de uso de drogas é frequente, mas fazemos vista grossa. Se a própria diretoria não faz nada, não somos nós que vamos confrontar os pacientes”, argumentou a mesma funcionária.

“Desde que meu filho nasceu está internado aqui. Convivo diariamente com a falta de segurança no Regional. Aqui é uma festa. Depois que fecharam o guarda-volume, até bebida eu vi lá dentro. Fumar maconha se tornou normal”, contou uma paciente, que terá o nome preservado para evitar uma possível perseguição.

Posicionamento

O Hospital Regional informou, por e-mail, que está trabalhando junto à Secretaria Municipal de Segurança Pública para melhorar as condições de segurança do hospital. O hospital informou ainda que foi aberto um processo de licitação para a aquisição de catracas eletrônicas e câmeras de monitoramento na unidade, dispositivos que, segundo eles, irão melhorar o controle da circulação de pessoas na unidade.