
Um homem de 23 anos foi preso preventivamente suspeito de abusar sexualmente da enteada, de 8 anos, em Betim. Nesta quinta-feira (11), a Polícia Civil deu detalhes do caso e informou que a mãe da criança foi indiciada, uma vez que sabia do crime e não procurou a polícia.
O caso foi denunciado no dia 21 de janeiro, quando a menina contou ao tio materno e à namorada dele que o suspeito passava as mãos no corpo dela, colocava o órgão sexual na boca da criança e queria que ela o tocasse. Não houve conjunção carnal.
"De acordo com as apurações, esse padrasto já praticava atos libidinosos com a enteada desde que ela tinha 5 a 6 anos de idade. O caso só veio à tona porque o tio acionou a Polícia Militar após escutar da criança sobre os abusos. No dia em que a polícia foi acionada, esse indivíduo não foi localizado. A mãe da menina disse que desconhecia os fatos e não quis fornecer o endereço de trabalho dele", explicou a delegada Ariadne Elloise Coelho.
Segundo a menina, os abusos aconteciam na madrugada. Ao saber que o crime tinha sido denunciado, o suspeito, que trabalha como pedreiro, fugiu para o Espírito Santo. "Nós continuamos com as investigações, e esse suspeito acabou conversando por telefone com uma policial da delegacia. Se prontificou comprar uma passagem e voltar para Betim. Na segunda-feira, ele foi preso, negou os abusos e justificou sua ida para o Espírito Santo porque tinha sofrido ameaças de morte em razão da foto dele ter sido vinculada ao estupro", disse a policial.
Coleguinha de menina também teria sido abusada
Uma coleguinha da vítima, de 7 anos, também teria sido abusada sexualmente pelo jovem em 2019. O homem teria colocado o órgão sexual na boca dela.
"As investigações dessa coleguinha estão em andamento ainda. Eles moravam de aluguel na casa da mãe dessa coleguinha, as duas estavam brincando quando ele colocou órgão sexual na boca da menina. A enteada falou que, por medo, fingiu que não viu e saiu para tomar água", disse a delegada.
Mãe foi omissa, diz polícia
Segundo a Polícia Civil, a mãe da criança, de 24 anos, alegou que não sabia dos atos, mas, de acordo com a apuração da instituição, a criança já tinha falado com a mulher dos abusos e nada foi feito.
"Ela contou para a mãe duas vezes. O indivíduo foi indiciado pelo estupro de vulnerável com o aumento da pena pela condição de padrasto e com o aumento da pena pela condição de ter sido mais de um episódio. A mãe da criança foi indiciada pelo estupro, mesmo crime, porém na modalidade omissiva, que é chamado de omissão relevante porque ela, enquanto representante legal dessa criança, tem o dever por lei de proteger essa menina evitando resultados lesivos de acordo com a sua possibidade. De acordo com as nossas apurações, ela não só devia, mas podia ter agido e ela não o fez. Ficou inerte, omissa, não tomou providências, ao que tudo indica, pelo vínculo afetivo com o companheiro dela", disse Ariadne.
A mulher, que tem um bebê de 3 meses com o suspeito, responde em liberdade. A guarda provisória da garotinha está com o pai. "Toda vez que tem esse tipo de caso a gente alerta: é preciso notar qualquer tipo de mudança de comportamento de crianças e adolescentes. Às vezes, a criança começa a falar que não quer ir para determinado local, fica mais triste, regride na escola, volta a fazer xixi na cama. A criança sente culpa, e é necessário um diálogo", finalizou a policial.
Minientrevista
Tio materno da criança, 19 anos
O nome dele não será divulgado para preservar a vítima
Como você soube dos abusos?
Eu fui levar o filho da minha irmã para amamentar no serviço. Quando eu voltei, minha sobrinha estava chorando e contando para minha namorada o que tinha acontecido. Disse que ele passava as mãos nela, esperava a mãe dela sair para fazer isso. Aí chamamos a polícia.
Há quanto tempo o casal estava junto? Como era o relacionamento deles?
Não sei a data certa, mas acho que uns cinco anos. O relacionamento deles era abusivo, eles se batiam, inclusive quando ela estava grávida do filho mais novo.
Após a prisão do seu cunhado, o que a sua irmã disse?
Com a família agora ela paga de santa, vai para a igreja. Tenta se livrar. Ela me mandou mensagem pedindo desculpa, eu falei que quem precisa de desculpa é a filha dela. Eu fiquei revoltado, decepcionado. O papel da mãe é defender o filho e ela virou as costas. Espero que a justiça seja feita com ela também.
Matéria atualizada às 13h57



