Reeleito para seu segundo mandato como vereador em Betim, Léo Contador (DEM) foi escolhido no último domingo (1º), em solenidade ocorrida no Ginásio Poliesportivo Divino Ferreira Braga, o novo presidente da Câmara Municipal. A votação da nova mesa diretora, que irá conduzir os trabalhos no Legislativo pelo biênio 2017 e 2018, teve consenso entre os parlamentares, com 22 votos a favor e apenas um contrário ao parlamentar. Diante de um cenário político nacional em que as pessoas estão cada vez mais desacreditadas na política e, sobretudo, nos políticos, Léo Contador terá muitos desafios pela frente. Com a responsabilidade de gerir um orçamento milionário estimado em R$ 52,6 milhões somente para 2017, o novo presidente diz que pretende fazer uma gestão transparente, atuante e compartilhada. Nesta entrevista exclusiva, ele falou sobre como será a sua conduta à frente do Legislativo, prometeu enxugar os gastos da Casa já no primeiro ano de gestão e anunciou uma série de cortes até então nunca feitos na Câmara da cidade.
O que os betinenses podem esperar do novo presidente da Câmara de Betim?
Pretendo fazer, como o apoio da mesa diretora e os demais vereadores, um novo formato de gestão, melhor e mais moderno. Para conseguir fazer isso, o primeiro passo será informatizar toda a estrutura da Câmara e otimizar os custos. Hoje, as coisas funcionam de forma arcaica, as informações não são integradas entre os setores. Queremos mudar isso. Outro ponto é fazer uma gestão transparente, aberta a discussões. Desde o primeiro dia em que assumi, me reuni com os vereadores, expus a eles os números da Câmara, para que possamos, juntos, decidir todas as ações que serão tomadas. Eu represento os 23 parlamentares, não somente a base do governo. Se eu tiver os vereadores unidos, conseguirei implementar todas as melhorias que pretendo. Por isso, todas as ações que a Câmara já pretende tomar não são do presidente do Legislativo, mas de todos os vereadores, de forma coletiva.
Então a postura da nova mesa diretora será participativa?
Sim. Trabalharemos em conjunto e de forma atuante em todas as ações da Casa.
De que forma vocês pretendem otimizar os gastos?
A primeira coisa é saber onde e como os recursos da Câmara estão sendo gastos. Depois que entendermos isso, vamos saber o que podemos cortar. Um exemplo é o anexo da Câmara (que fica na rua Rio de Janeiro, no centro), que é alugado e gasta por ano R$ 250 mil do Legislativo. É necessário realmente manter toda aquela estrutura? Se eu trouxer uma sala que funciona hoje lá para dentro do prédio da Câmara, já consigo economizar R$ 15 mil por ano. Outro exemplo é parte do nosso estacionamento, onde cabem dez carros. Pagamos R$ 32 mil por ano para mantê-lo. Parece ser pouco, mas com esse mesmo valor consigo implementar no prédio da Câmara o piso tático para deficientes e colocar as catracas para identificar todas as pessoas que entram na Câmara. Outra medida que pretendemos tomar é acabar com as ligações da Câmara para celular. Com isso, devemos economizar em torno de R$ 150 mil por ano. Todas essas ações são formas de gerir o recurso público.
Quais as medidas que serão tomadas pela Mesa Diretora logo nos primeiros dias de gestão?
Como já citei, pretendemos implementar o mais rápido possível o piso tático no prédio do Legislativo e as catracas para identificar quem entra e quem sai da Câmara. Essa última medida é para tentar coibir as ações de vandalismo no Legislativo, que hoje acontecem muito. Outra melhoria será fazer funcionar o ar-condicionado onde ocorrerem as reuniões do plenário. Mas como para implementar essas ações temos que realizar processos licitatórios, a previsão é que o início das mudanças comecem a ser executadas daqui a 90 dias. Também vamos firmar uma parceria com a Ascapel (Associação dos Catadores de Papel de Betim) para que todo o lixo produzido na Câmara seja enviado para a associação. Além disso, vamos cortar os carros que atualmente são disponibilizados aos 23 gabinetes dos vereadores. Só ficarão três, que atendem a gestão da Câmara. Com isso, não teremos mais que custear 500 litros mensais com gasolina para cada parlamentar. Também vamos acabar com a verba indenizatória, que hoje é de R$ 2.000, e com os gabinetes externos.
Com todos esses cortes, quantos vocês calculam economizar por ano?
Os números ainda são muito preliminares, mas trabalhamos, por baixo, com cerca de R$ 3 milhões anuais.
Como serão aplicados esses recursos que o Legislativo pretende economizar?
Isso é uma questão muito importante. Pactuamos com o Executivo que a verba que será economizada não deverá ser “jogada” no caixa da prefeitura, como sempre ocorreu, sem sabermos para onde esse dinheiro irá. Nós estamos reduzindo, cientes de que a devolução desse dinheiro será aplicada pelo prefeito Vittorio Medioli na educação infantil.
É verdade que o senhor pretende instituir uma Junta Orçamentária e Financeira?
Sim. Trata-se de uma comissão que irá ajudar nas tomadas de decisão. Com a sua criação, todas as medidas não serão tomadas só pelo presidente do Legislativo, mas sim pelos demais vereadores também. É importante frisar que os cinco membros da mesa diretora não participarão dessa comissão. Isso dará mais autonomia as decisões da Junta.
Os vereadores que irão formar essa Junta já foram escolhidos?
Sim. Serão os vereadores Klebinho Rezende (PSD), Palmerinho (PV), Eliseu Xavier (PTB), Luiz Conexão (PDT) e Gilson da Auto Escola (PPS).
Nessas eleições, a Câmara de Betim teve 65% de renovação. Qual o recado do eleitor para tanta mudança?
Isso demonstra a insatisfação do modelo de gestão dos vereadores, tanto de Betim como a nível nacional.
Ao longo dos anos, a Casa sempre foi muito criticada sobre a forma como ocorrem a votação de projetos do Executivo em regime de urgência, feita, em sua grande maioria, sem discussão e sem passar pelas comissões. Como o senhor pretende conduzir esse tipo de situação?
No último mandato, fui um dos que sempre questionei a forma como esses projetos eram votados. Por isso, digo que isso não irá acontecer mais durante a nossa gestão. A Casa tem um Regimento Interno e vamos cumpri-lo.



