Projeto propõe multa para quem fizer o uso de cerol

A proposta foi assinada por todos os vereadores. No último sábado (1º), um motociclista foi vítima de um acidente com esse tipo de linha em...

Tramita na Câmara um projeto de lei que propõe punição para quem for flagrado usando linha com cerol – mistura de cola com vidro moído – ou linha chilena (cortante) ao soltar pipas no município. A proposta foi assinada por todos os vereadores. O objetivo é prevenir acidentes.

No último sábado (1º), um motociclista foi vítima de um acidente com esse tipo de linha em Betim. Segundo o projeto de lei, quem for flagrado usando linha cortante poderá ser multado em R$ 2 mil. No caso de reincidência, o valor da punição será dobrado.

De acordo com o vereador Claudinho (DEM), presidente da Comissão de Segurança Pública e Defesa Civil da Câmara, alguns acidentes já aconteceram no último mês na região metropolitana, e é preciso prevenir que isso aconteça novamente em Betim.

“No mês passado, em Ibirité, uma criança de 11 anos morreu ao ser atingida por uma linha cortante. Há relatos de vários acidentes na nossa região, e, nesse período de férias escolares, o risco desse tipo de ocorrência acontecer é maior. Por isso que esse projeto é importante, pois busca impedir que uma brincadeira se torne um perigo para a população”, defendeu o vereador.

Na quarta-feira (5), um motociclista morreu em Justinópolis, na região metropolitana, ao ser eletrocutado depois que um fio de alta-tensão o atingiu. Segundo o Corpo de Bombeiros, o cabo se rompeu por causa de uma linha com cerol que ficou agarrada na rede elétrica.

Além da punição prevista no projeto de lei, Claudinho defende que é preciso que as famílias combatem essa prática. “Muitas vezes, vemos crianças soltando pipa com esse tipo de linha criminosa com a conivência de adultos, até de alguns pais. Isso é inadmissível. Por isso, precisamos combater essa mentalidade e punir quem praticar esse ato criminoso”, disse. “Isso inclui ainda a fiscalização pelos órgãos do poder público no comércio. Há relatos de que se encontra essa linha chilena até em papelarias, então, as forças fiscalizadoras, seja da polícia ou de outros órgãos, precisam atuar”, acrescentou.

Para o vereador Paulinho Vicentino (PPS), a questão é muito séria. “É uma brincadeira que pode ser acabar até em morte. Então, tem que haver uma fiscalização maior das polícias e até mesmo da Guarda Municipal para coibir esse uso. As pessoas também precisam conscientizar os mais jovens a não usarem esse tipo de linha”, afirmou Paulinho.

Além dessa proposta de proibição do uso de linha cortante no município, outro projeto de lei será protocolado na Casa alterando a legislação sobre a Semana de Conscientização ao Não Uso do Cerol. A lei, aprovada em 2005, determina ações de conscientização na cidade. “Porém, ela estipula que a semana seja realizada em agosto. Por isso, vou propor que seja antecipada essa semana para junho, antes das férias escolares, que é o período que precisa de maior atenção. Um estudo do Samu de Belo Horizonte mostrou que 80% dos acidentes com cerol e outros tipos de linhas cortantes acontecem em junho e julho”, completou Claudinho.

Orientação
O sargento Rogério Viana, do 2º Batalhão do Corpo de Bombeiros, alertou para o aumento dos acidentes nos próximos dias. “Infelizmente eu acredito que essas ocorrências ainda vão aumentar muito, porque ainda nem começaram as férias e já estamos fazendo registros. Quando a criançada começar mesmo a soltar pipa, os acidentes podem aumentar muito”, alerta.

Viana ressalta que os motociclistas são as principais vítimas dessas linhas e que, por isso, devem ficar atentos a todos os equipamentos de segurança, principalmente a antena corta pipa e o capacete, que ajudam a minimizar os acidentes.

O sargento ressaltou ainda que para evitar esses acidentes é preciso que os pais orientarem os filhos a não usarem linha de cerol ou linha chilena. “Antes das crianças e adolescentes saírem para soltar pipa, os pais devem observar se eles estão usando cerol e linha chilena e explicar para os filhos os perigos dessas linhas. Essa orientação pode evitar até mortes”, conclui (com Natália Oliveira).