"Me ligaram e disseram, ‘mataram o Lucimar’. Eu não acreditei. Até agora eu não acredito”. O depoimento é de uma mulher, que preferiu não se identificar, cujo parente foi assassinado durante a onda de violência que aconteceu há uma semana em Betim.
Lucimar de Jesus, de 29 anos, era pedreiro, separado e deixou uma filha de oito anos. Ele foi assassinado no dia 10 de janeiro no bairro Vila Verde.
De acordo com testemunhas, por volta das 23 horas, Lucimar estava acompanhado de Cleverson Alves Ferreira, de 22 anos. Três pessoas que estavam em um carro se aproximaram dos dois e atiraram. Eles chegaram a ser resgatados com vida, mas morreram na Unidade de Atendimento Imediato (UAI) do bairro Teresópolis.
“Nunca soube de problema nenhum envolvendo ele. Lucimar sempre estava pronto para ajudar aqui no bairro. Sempre me dava notícia quando saía de casa. Foi um choque. Quem poderia ter feito isso com ele?”, disse a parente de Lucimar. O corpo dele foi enterrado na última sexta-feira (12).
'Ele não era envolvido com nada'
No Conjunto Habitacional José Gomes de Castro, José Valdir da Silva Júnior, que completaria 20 anos neste mês, foi baleado e morreu no local na madrugada do dia 11, durante a onda de violência. Ele morava com a família na mesma rua em que foi assassinado.
Segundo a mãe dele, o jovem teria saído de casa depois de ouvir disparos em um bairro próximo. “Ele estava jantando e saiu, veio para fora ver o motivo dos tiros, né. Aí sentou com os amigos aqui, que era de costume todas as noites, eles ficarem sentados até tarde e conversar”, disse Cleuma Alves.
Ela confirmou que o filho era usuário de drogas. “Que eu sei, ele fumava maconha, mas, assim, ele não era envolvido com nada”, falou Cleuma. José Valdir também não tinha antecedentes criminais.
A polícia informou que abriu inquérito para investigar a onda de ataques que ocorreu em dez bairros de Betim entre os dias 10 e 11 de janeiro. Além de Lucimar, Cleverson e José Valdir, outras sete pessoas foram assassinadas nestes dois dias na cidade.
São elas:
Kevin Willian Ribeiro da Silva, 17 anos. Ele foi baleado em um viaduto da Via expressa, perto do bairro Conjunto Habitacional Celso Alves Pedrosa, no dia 10 de janeiro. Chegou a ser levado para um hospital da região, mas não resistiu e morreu na madrugada do dia 11 de janeiro.
Richard Nicolas Ferreira, 15 anos. Ele foi assassinado a tiros no dia 11, no bairro Parque Jardim Terezópolis.
José Valdir da Silva Junior, 19 anos. Foi morto no dia 10, no Conjunto Habitacional José Gomes de Castro. Testemunhas disseram que um carro se aproximou dele e disparos foram feitos. Um outro homem que estava no local também foi baleado. Ele levou dois tiros no pé e dois tiros em uma das coxas.
Luciano Ramos de Sousa, de 32 anos. Ele foi assassinado com seis tiros em Nova Baden, no dia 10.
Cristiane Souza Costa Cristiane Souza Costa, de 30 anos. Ela levou quatro tiros que atingiram o pescoço e o tórax no dia 10, no bairro Nossa Senhora de Fátima. De acordo com o boletim de ocorrência, ela foi encontrada ferida perto da Avenida Amazonas. Cristiane chegou a ser levada para o Hospital Municipal de Betim, mas não resistiu e morreu no dia 12.
Outros três homens, ainda não identificados, foram mortos nos bairros Bom Retiro, Jardim das Alterosas e Parque Betim Industrial.
Duas pessoas ficaram feridas. Um dos crimes aconteceu no Conjunto Habitacional José Gomes de Castro. o outro foi no bairro Residencial Lagoa.
Investigação
Até o momento, um suspeito foi preso. A polícia não informou qual dos crimes ela teria participação para não atrapalhar as investigações. A corporação adiantou que nem todos os assassinatos estão relacionados.
O coronel Mauro Alves afirmou no dia 11 que investiga a possibilidade da participação de policiais na onda de homicídios.
A série de crimes começou depois da morte do cabo Jorge Luiz Santos Oliveira, assassinado a tiros por dois homens no dia 9 de janeiro. O coronel disse ainda que não descarta a ligação entre alguns dos assassinatos.



