Rede hospitalar privada em colapso acende alerta vermelho em Betim

Diante da pior fase da pandemia do novo coronavírus em Minas e no país, os hospitais particulares de Betim também enfrentam seu momento mais...

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Foto: Betim Online

Diante da pior fase da pandemia do novo coronavírus em Minas e no país, os hospitais particulares de Betim também enfrentam seu momento mais crítico. A taxa de ocupação dos leitos clínicos e de UTI no Mater Dei e na Unimed-BH, nesta semana, chegou a quase 100%, o que deixou o atendimento nestas unidades à beira do colapso, e colocou a cidade em estado de alerta vermelho.

Além disso, a rede de saúde pública de Betim, cidade referência para a região composta por 13 municípios, com cerca de 800 mil habitantes, também enfrenta uma sobrecarga assistencial nas últimas semanas. Por isso, a prefeitura anunciou a reabertura de mais 25 leitos, além dos 25 já abertos na semana passada. O município cobra o credenciamento dos leitos e o repasse de recursos da União para o custeio dessas novas vagas exclusivas.

Nesta semana, para não ultrapassar os 100% de ocupação no hospital particular Mater Dei Betim-Contagem, o presidente da rede, o médico Henrique Salvador, informou que foram abertos 38 novos leitos, sendo 13 de UTI e 25 de enfermaria. Mesmo com as novas vagas, a unidade já está com 90% de ocupação. “Se não tivéssemos aberto esses leitos, já teríamos atingido mais de 100% de ocupação”, ponderou.

Segundo Salvador, a Mater Dei tem até espaço para abrir mais leitos, mas esbarra na falta de profissionais a serem contratados. “A equipe de saúde está estafada e chegando ao seu limite”, afirmou. “Para conseguir encontrar profissionais, foi antecipada pela rede a formação de profissionais de enfermagem do centro de formação mantida pela instituição”, completou o presidente da rede.

Salvador também fez um alerta para que as pessoas entendam o momento atual. “Temos que fazer o que for necessário. É importante evitar festas, aglomeração, usar máscara, álcool em gel, enfim, todas as medidas já divulgadas e que precisam ser reforçadas. O momento não é para brincadeira”, salientou.

Um profissional que trabalha na rede particular concorda que o momento é crítico. “Não para de chegar pacientes, a maioria infectada por Covid. A UTI está muito cheia e temos poucos leitos para receber pacientes. A sobrecarga de trabalho está enorme e não sabemos o que pode correr se a pandemia se agravar”, ponderou o profissional.

Unimed

A situação crítica também é vivida pela rede Unimed-BH. Conforme boletim epidemiológico divulgado pela cooperativa na quinta (18), a taxa de ocupação de leitos de terapia intensiva nas unidades da sua rede, que incluem BH, Contagem e Betim, chegou a quase 100%, com 270 pacientes suspeitos e infectados.

Diante do momento preocupante, a Unimed informou que, ainda neste mês, vai reabrir a internação na unidade da rede no centro, onde serão abertos novos leitos de internação exclusivos para os pacientes diagnosticados com a doença.

“A cooperativa esclarece que está tomando todas as providências para ampliar o número de leitos. Porém, assim como em outras partes do Brasil, a abertura de novos leitos torna necessária também a contratação de mão de obra capacitada, como por exemplo, médicos intensivistas e outros profissionais. No momento são mais de 170 vagas para início imediato”, afirmou a rede.

Credenciamento de leitos

Nesse momento crítico da pandemia em todo o país, a Prefeitura de Betim também anunciou a criação de mais 25 leitos, sendo dez de UTI e outros 15 clínicos.

Na semana passada, outros 25 foram abertos. Com isso, a previsão é chegar a 90 leitos de UTI, no Cecovid 4, além de 75 clínicos de enfermaria no Cecovid 2 – Hospital de Campanha, que também têm cinco vagas de terapia intensiva.

Além de abrir essas novas vagas para tratamento de pacientes com Covid em Betim e nas outras 12 cidades da microrregião de saúde, a prefeitura vai cobrar do governo federal o custeio desses leitos. Para isso, o município ingressou com uma ação contra a União no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

No processo, a prefeitura relata que dos cem leitos criados no município exclusivamente para tratar pacientes com Covid, 30 foram descredenciados pelos governos federal e estadual neste ano. Com isso, o município está tendo que arcar sozinho com todo o custo para manutenção desses novos leitos, sem contrapartida da União.

“Entramos com a ação no STF para garantir o credenciamento desses leitos que estão sendo criados para atender os betinenses e os munícipes da microrregião, leitos estes que foram descredenciados no início do ano e que, apesar das insistentes solicitações, não foram credenciados novamente. O município não tem condição financeira de arcar com esses leitos, com custo diário de mais de R$ 2.000”, afirmou o procurador geral de Betim, Bruno Cypriano.

O gestor ainda destacou que o município solicita o ressarcimento do gasto com esses leitos e que sejam credenciados também os leitos de enfermaria no Hospital de Campanha, que foram custeados desde a criação da unidade pelo município, embora sejam do SUS.