A Câmara de Vereadores de Betim realizou uma audiência pública para debater a “privatização” do Ceabe. Presente ao encontro, o presidente da Associação dos Vendedores Ambulantes de Betim (Assovamb), Cláudio Macário, disse que a categoria teme que a prefeitura queira apenas tirar os camelôs do local.
“Somos permissionários do espaço desde o ano de 2004, e, agora, eles querem que um empresário de Belo Horizonte tome conta da praça. Como representante dos ambulantes, afirmo que nossa categoria discorda dessa mudança, pois teremos que pagar aluguel com valor que ainda nem sabemos e concorrer com grandes empresas, como as lojas Americanas e a Subway. Vai ser muito desleal essa concorrência”, avalia Macário.
Ainda segundo o representante dos ambulantes, a categoria não é contra o progresso, mas quer garantias para sobreviver à nova situação. “São 250 pais e mães de família que estão muito inseguros agora com essa possível mudança. Quando fomos conversar com eles sobre essas dúvidas, eles ‘escorregaram’ e não explicaram mais nada”, reclama.
Também presente à audiência, o vereador Tiago Santana (PCdoB) elogiou a reunião, que, segundo ele, permite aos interessados debater o tema democraticamente. “Trata-se de uma proposta positiva para o município e para a população. Agora, tem que analisar toda a situação, para que nenhuma das partes saia prejudicada. Também ouvimos alguns questionamentos e até denúncias de que existe até a sublocação de alguns espaços”, completa.
Ministério Público
De acordo com o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Fabrício Freire, a mudança no Ceabe foi determinada pelo Ministério Público em 2010. “O caso vem se arrastando desde então, mas o Ministério Público questionou por que uma área pública vem sendo explorada comercialmente, sem licitação e sem nenhuma contrapartida para o município. Após esse primeiro encontro, vamos formar uma comissão com representantes do Ceabe, da feira livre, do camelódromo, dos ambulantes do entorno, da Câmara e do Ministério Público”, revela.
O secretário declarou que, após a determinação do Ministério Público, é necessário abrir uma licitação. “Mas, para licitar o espaço, é preciso revitalizá-lo. Então, fizemos uma Proposta de Manifestação de Interesse (PMI), e o empresário Elias Tergilene, proprietário do Uai Shopping, em Belo Horizonte, apresentou um projeto para erguer um grande empreendimento no local, com cerca de 18 mil metros quadrados de área construída. Ele teria o direito de posse, não de propriedade, para explorar o espaço comercial por 40 anos. O investimento total chegaria a R$ 40 milhões na construção de um shopping com mais de 800 lojas”, disse.


