SEMAS: Desvio, assédio moral, negligência e CPI

Alertado por uma série de denúncias recebidas por órgãos de controle do município, dentre eles a Ouvidoria e a Controladoria, o prefeito...

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Alertado por uma série de denúncias recebidas por órgãos de controle do município, dentre eles a Ouvidoria e a Controladoria, o prefeito Carlaile Pedrosa (PSDB), preocupado com a gravidade das mesmas, demitiu Léo Contador (DEM) no último dia 14 de janeiro, um dia antes de se licenciar para cirurgia cardíaca. Ele também demitiu seu ex-locutor Carlos Clarindo de Souza, que era contratado em cargo de confiança na extinta Superintendência de Eventos.

Porém, muitas denúncias surgiram após a saída de Léo e Carlão da prefeitura, durante o período em que Waldir Teixeira (PV) cumpria sua função de prefeito em exercício.

Servidoras ouvidas pela reportagem, que pedem anonimato, também atribuem a Carlão atitudes de assédio moral.

Outra funcionária diz ter sido sequestrada dentro da Secretaria de Assistência Social (Semas) por uma quadrilha armada. A secretaria também estaria sendo usada para “esquentar campanhas de candidatos a deputados”.

Um dos citados pela servidora é o vereador Welinton Abreu, o Sapão (PSB), apoiado, ostensivamente, por Léo Contador. Ao sair da secretaria, Léo alegou que se afastaria do cargo para disputar uma vaga a deputado federal em “dobradinha” com Sapão.Para alimentar esse esquema eleitoral, muitas pessoas também teriam sido contratadas através de convênios da Semas.

Denúncias sobre essas irregularidades já estão com o controlador Davson Prado, nomeado por Carlaile após substituir Robspierre Miconi Costa, responsável por investigar as irregularidades. O novo controlador-geral do município, que também já foi contador de empresas de Carlaile e de seu irmão, Ciro Pedrosa, não retornou às ligações.

Carlaile não quis saber das denúncias

O ex-controlador-geral do município, Robspierre Miconi Costa, declarou que sua substituição se deu sem que pudesse fazer uma explanação ao prefeito Carlaile Pedrosa sobre tudo o que estava investigando. “Ele não quis tomar conhecimento das auditorias. Além de absurdos ocorridos na Semas, também tem as auditorias no Ippub, em contratos com a Engesolo e na Secretaria de Obras, além das medições da avenida Universal”, disse.

Carlaile, para evitar sua responsabilidade pessoal nos desvios, conforme um advogado consultado pela reportagem, deverá abrir denúncia contra Léo Contador e Carlão.

A expectativa é de que a nova secretária de Assistência Social, Regina Rezende, preste contas sobre os convênios que estão em aberto, pois, pelo gravidade das denúncias, poderão ser envolvidos, além da Câmara e da Assembleia Legislativa, a Polícia Federal, o TCU, o Ministério Público Federal, o TCE e o Ministério Público Estadual.

Comemoração

Carlão fez questão de acompanhar o retorno antecipado de Carlaile. Como forma de comemorar, ele mesmo explodiu rojões do lado de fora da prefeitura e fez questão de percorrer os corredores do Centro Administrativo. “Voltamos” e “Carlaile é o meu prefeito”, além de “Fora, Waldir”, foram palavras de ordem ditas por ele. Por redes sociais, aliados de Carlão e Léo Contador diziam palavras de baixo calão, como “enfia o dedo...”, contra os auditores demitidos.

Vereadores reúnem provas

O líder da bancada petista na Câmara, Eutair Santos, explicou que estão sendo levantados outros documentos, além da cópia do cheque apresentada pelo vereador Antônio Carlos, o que comprovaria esquema irregular com dinheiro público envolvendo o ex-servidor Carlão, empresas de transporte, a prefeitura e o Núcleo Assistencial Irmãos Glacus. “Reunimos os vereadores do PT e definimos que vamos pedir a CPI. Já estamos elaborando o requerimento e coletando provas que possam respaldar o trabalho da comissão”.

A CPI tem apoio de outros dois vereadores, porém, segundo o Regimento Interno da Câmara, para instaurar a investigação, será necessária a adesão de um terço do número total de vereadores, ou seja, oito parlamentares.

Contrário ao processo de investigação, o presidente da Casa, Marcão Universal (PSDB), disse que, se depender dele, a CPI não será criada. “Jamais vou assinar um documento para a criação de uma CPI para investigar um vereador. O que estão fazendo é um jogo político para denegrir a imagem dos vereadores”, disse.

Paralelamente, o MP deve ouvir todos os envolvidos, inclusive o presidente do núcleo Irmãos Glacus, João Augusto Reis, que teria permitido a utilização da entidade no suposto esquema de corrupção. A diretoria da ONG, formada por espíritas de Betim, estuda o afastamento dele. A entidade Irmãos Glacus é reconhecida por relevantes trabalhos prestados à comunidade. Reis não foi encontrado pela reportagem.