Vereador flagra situação de caos na UAI 7 de Setembro

Corredores e recepção superlotados; bebedouros estragados; equipamentos sem adequado processo de limpeza, desinfecção e esterilização, fiação...

ot25-04b 1Corredores e recepção superlotados; bebedouros estragados; equipamentos sem adequado processo de limpeza, desinfecção e esterilização, fiação de luz precária e com risco de curto-circuito; e um novo equipamento de raioX parado. Esse foi o cenário de caos encontrado pelo vereador Antônio Carlos (PT) na Unidade de Atendimento Imediato (UAI) Sete de Setembro, durante visita-surpresa realizada pelo parlamentar, na última terça-feira (22).

Segundo o petista, a fiscalização à unidade de saúde foi motivada porque, há cerca de duas semanas, ele já havia recebido uma denúncia de que a UAI estaria com um aparelho novo de raioX parado por causa de problemas na fiação do local.

“Como na terça (22) venceu o prazo informado pela prefeitura para instalar esse aparelho, resolvi verificar de perto a situação da unidade. Porém, ao chegar ao local, além de constatar que o novo aparelho ainda não havia sido instalado, deparei-me com um cenário caótico e de total abandono. Logo quando entrei, a recepção estava lotada, porém, não havia nenhum bebedouro para os pacientes. Os quatro ventiladores existentes estavam estragados, e, no banheiro masculino, não havia mictório. Lá dentro, a situação é ainda pior”, denunciou.

Funcionários, que preferiram não se identificar por medo de represália, relataram ao parlamentar os problemas vivenciados diariamente na UAI Sete de Setembro. “O aparelho de raioX não estava funcionando, mas fizeram uma ‘gambiarra’ e ele voltou a funcionar. Porém, os técnicos disseram que ele vai estragar a qualquer momento, já que está fazendo um barulho ensurdecedor. Se isso acontecer, os pacientes ficarão desassistidos, e, enquanto isso, o raioX novo continua parado”.

Outra funcionária também fez denúncias sérias ao vereador e à reportagem sobre riscos de contaminação e descaso com pacientes e trabalhadores. Segundo ela, a sala de expurgo da unidade de saúde – destinada à lavagem de material contaminado –, além de ser muito pequena, fica no mesmo espaço físico onde são guardados os equipamentos limpos, como nebulizadores e bacias. “Isso é totalmente inadequado e proibido pela Vigilância Sanitária, além de ser um risco à saúde de pacientes e funcionários, já que podem ocorrer a proliferação de bactérias e o aumento de infecção na unidade”, explicou.

Ainda conforme ela, apesar de a UAI atender a uma grande demanda de pacientes, na unidade existem apenas três cadeiras de banho e faltam colchões para todos os leitos. “As cadeiras de banho estão quebradas e são remendadas com esparadrapo. E o pior, elas são deixadas ao ar livre, sendo mais um risco de contaminação para os pacientes. Apesar de na unidade 70% dos pacientes serem idosos, eles colocam macas nos leitos. É um total desconforto ao paciente”, denunciou.

A funcionária contou ainda que, há cerca de quatro meses, houve um curto-circuito na sala de acolhimento da unidade. “Apesar do risco de pegar fogo, a gerência não nos deu nenhuma satisfação do que aconteceu”, reivindicou ela.

Fiscalização

Diante do cenário de descaso encontrado, Antônio Carlos (PT) afirmou que vai cobrar providências das autoridades competentes. “Farei uma denúncia formal ao Sind-Saúde (Sindicato Único dos Trabalhadores da Saúde de Minas Gerais), à Vigilância Sanitária Estadual e à Vigilância em Saúde do município. Vamos continuar a fazer as visitas-surpresa nas unidades para fiscalizar a situação da saúde em Betim”, disse.

Resposta

A assessoria da prefeitura informou que o aparelho raioX está funcionando. “Um novo aparelho, mais moderno, já chegou à UAI, e, para ser instalado, intervenções na parte elétrica da área de radiologia foram feitas na quarta-feira (23). Por conta disso, desde a quinta-feira (24), temporariamente, até o fim da instalação do novo equipamento, os exames estão sendo transferidos para a UAI Guanabara”.

Sobre as alegações referentes à higiene, a prefeitura declarou que “os procedimentos de limpeza e conservação dos materiais são feitos adequadamente, conforme as normas sanitárias vigentes”. Com relação à parte de fiação elétrica, a gerência da unidade informou que “não há risco de curto-circuito”.