
Motoristas e passageiros tiveram um domingo de caos na BR-381, a Rodovia Fernão Dias, no trecho Belo Horizonte/São Paulo. O motivo foi o ataque de criminosos, que incendiaram um ônibus metropolitano e depredaram outro, além de obrigar o motorista de uma carreta-tanque a posicionar o veículo atravessado na rodovia. A ação, ocorrida entre o fim da manhã e começo da tarde no Km 502 da estrada, no Bairro Citrolândia, teria sido desferida em retaliação à morte de um adolescente no bairro, no fim da noite do sábado, em troca de tiros com policiais militares.
Foram quase quatro horas de fechamento da via nos dois sentidos, com congestionamento que chegou a 10 quilômetros. De acordo com o policial rodoviário federal Adailson Silva, responsável pelo registro do boletim de ocorrência, às 11h15, um grupo, cujos integrantes usavam capuz e camisa escondendo o rosto, alguns com armas de fogo, cercou o coletivo da linha 3850 (Citrolândia/Belo Horizonte), sob a passarela de acesso ao bairro. “No ônibus viajavam cerca de 20 pessoas, que foram obrigadas a descer do veículo. O motorista ainda foi agredido pelos criminosos, que jogaram gasolina e colocaram fogo no coletivo, que trafegava no sentido BH/SP”, explicou o policial.
Ainda de acordo com Adailson, um segundo ônibus que vinha na sequência foi parado e teve janelas destruídas por integrantes de um grupo de cerca de 30 moradores do Citrolândia, que desceram para a rodovia para um protesto que se transformou em ato de vandalismo. Os encapuzados obrigaram o carreteiro a parar e fecharam a estrada sentido SP/BH. “Acredito que colocariam fogo na carreta-tanque, o que poderia ter proporções trágicas, já que o recipiente estava vazio e, nesses casos, há uma concentração de gases que resultaria em uma grande explosão”, destacou o policial.
Segundo Adailson, a chegada de policiais militares que atuam no bairro teria impedido que os incendiários seguissem com o plano. Eles, então, depois que a carreta ficou atravessada na rodovia, retiraram o motorista à força da cabine e roubaram as chaves do veículo. Já alguns manifestantes que pretendiam colocar fogo em pneus nas pistas não tiveram tempo e deixaram o material queimando na via marginal.
Policiais rodoviários federais, com ajuda de PMs e militares do Corpo de Bombeiros, depois de contidos os manifestantes, providenciaram a liberação da pista. Por volta das 13h45 o trecho BH/SP, com oito quilômetros de congestionamento, foi desimpedido com a retirada da carcaça do ônibus queimado. Já no sentido oposto, com filas de até 10 quilômetros, o tráfego só foi normalizado às 14h30, depois que um chaveiro conseguiu fazer com que a carreta fosse retirada do meio da estrada.



