Vistorias na Várzea das Flores começam, e moradores devem ser realocados

Cerca de 50 famílias que moram às margens da lagoa da Várzea das Flores, em Betim, serão realocadas nos próximos dias.Equipes da Copasa, da...

03-02-2020
Foto: Ronaldo Silveira

Cerca de 50 famílias que moram às margens da lagoa da Várzea das Flores, em Betim, serão realocadas nos próximos dias.
Equipes da Copasa, da prefeitura de Betim e de Defesa Civil municipal e estadual começaram nesta terça-feira (4) a percorrer as residências para coletar dados como a quantidade de moradores, a idade deles, se existem pessoas com necessidades especiais.

"Nessa vistoria, a Copasa já identificou 47 residências, cujos moradores precisarão ser realocados. Nesta quarta-feira, pela manhã, deverá ser definido um local para abrigar essas famílias, assim como onde serão guardados os seus pertences e para onde irão os animais domésticos. Vale ressaltar que a prefeitura vem dando todo o apoio necessário, inclusive com a limpeza do local", afirmou o secretário de Meio Ambiente de Betim, Ednard Tolomeu.

Essa ação faz parte do planejamento para enfrentamento da situação de emergência da Várzea das Flores que a Prefeitura de Betim cobra judicialmente da Copasa para evitar o risco de inundação de casas que ficam às margens do Rio Betim, manancial que pode receber todo o volume excedente da represa caso haja derramento de água de seu vertedouro. Por causa das chuvas fortes dos últimos dias, a represa ultrapassou 100% da sua capacidade e, na semana passada, o volume de água em excesso chegou a escoar pelo seu vertedouro. Desde sábado, o volume excedente continua a ser bombeado pela empresa.

No último dia 28, o juiz Henrique Mendonça Schvartzman acatou um pedido do município e ordenou que a Copasa tome providências de segurança envolvendo o reservatório.A sentença também determinou que a companhia arque com os custos de realocação da população.

Porém, de acordo com os moradores, os representantes da Copasa não souberam informar quando e para onde seriam levados.

A operadora de caixa, Sandra Gonçalves Teixeira, que mora na região considerada área de risco há quase dez anos, ressalta que nenhuma garantia foi dada pela companhia. “A Copasa falou que vai levar nossos móveis para um local seguro, mas nós precisamos de algo que assegure isso. Um termo assinado e carimbado, para que também possamos tomar nossas providências”, afirmou.

Outra preocupação da população é em relação às crianças da região. "Se tivermos que sair mesmo, se estamos em área de risco, vamos sair sim, principalmente por nossas crianças. Só na minha casa são cinco adultos e sete crianças. Mas precisamos de garantias. Estamos perdidos, sem saber o que vai acontecer daqui para frente", pontuou a dona de casa Simone Conceição Trindade.

Prevenção
A Copasa afirma que a represa está estável, sendo monitorada 24 horas e que não há risco de rompimento, mas a preocupação da Prefeitura de Betim é que ocorra uma grande vazão de água da barragem pelo vertedouro alagando o rio Betim, em decorrência de chuva intensa prevista para os próximos dias, colocando assim vários moradores em risco.

De acordo com o major Eduardo Lopes, da Defesa Civil estadual, a ação de retirada das famílias é uma medida preventiva, mas necessária. "Estamos enfrentando um intenso período chuvoso e ainda há previsão de temporais na região de Betim para os próximos dias e semanas. Constatamos que essa é uma área de risco, sim, e precisamos garantir a integridade dessas pessoas", afirmou.

Os agentes da companhia que estavam no local disseram que não estavam autorizados a gravar entrevista.

Já em nota, a Copasa afirmou após as esclarecidas as dúvidas em uma reunião com o juiz e a prefeitura, iniciou o cadastro das famílias para a remoção das mesmas caso seja necessário.

Confira a nota da Copasa na íntegra:
Na data de 3/2, em audiência presidida pelo juiz Vara da Fazenda Pública de Betim, Henrique Mendonça Schvartzman, com a presença de representantes da Copasa e da Prefeitura de Betim, houve o esclarecimento de dúvidas e delimitação de funções para as partes envolvidas que trabalharão colaborativamente no afastamento do risco de atingimento de pessoas que ocupam imóveis localizados às margens do ribeirão BETIM.

A Copasa iniciou imediatamente o atendimento das determinações, iniciando o trabalho de cadastro socioeconômico da população ribeirinha para a eventual e necessária remoção para locais seguros em razão de iminência de chuvas que podem causar a elevação de nível do ribeirão Betim e a consequente inundação de edificações localizadas às margens do curso d’água.

Trabalham de forma conjunta, desde a manhã desta terça-feira (4), técnicos da Copasa, da prefeitura de Betim e Defesas Civil Municipal e Estadual, realizando atividades de prevenção de exposição a risco e de conscientização da população.

Neste momento, a represa da Vargem das Flores opera normalmente em total segurança com 100% de sua capacidade, sem vertimento de água. A Companhia esclarece que não há risco de transbordamento.

Além do vertimento natural de águas excedentes, sempre que necessário, a Copasa inicia o bombeamento artificial para promover amortecimento de carga adicional decorrente de chuvas.